
Há anos que perdi o hábito de ler o Jornal de Angola, para salvaguardar a minha saúde mental, porque espelha notícias que raramente refletem a realidade do que se passa no nosso país. Muito menos relata a vida dificílima que a maioria dos cidadãos vive no seu dia a dia.
Todavia, como o referido jornal circula pelo WhatsApp, alguns títulos chamam-me a atenção quando não consigo fechá-los a tempo.
Foi assim que, no dia 22 do corrente mês, deparei-me com uma notícia estampada na 1.ª página do JA, informando que seria criado um Observatório para “monitorizar a evolução da segurança alimentar em Angola”.
Acabaram-se os concursos públicos para as Forças Armadas Angolanas (FAA), assim como para os entrepostos logísticos, porque o Grupo Carrinho, por ajustes diretos, tem o monopólio de quase tudo.
Os produtos agrícolas de produção nacional, que não pertençam ao Grupo Carrinho, a alguns dirigentes e generais, não têm acesso às vendas, porque quase não há concursos públicos.
Com todo o descaramento, respondem-nos por escrito para contactarmos o Grupo Carrinho. Será que o Grupo Carrinho é o representante legal das FAA ou do Estado?
Vem daí o Grupo Carrinho, que nos está a levar a todos de “carrinho” (não sei de quem) e exige que os produtos agrícolas lhes sejam vendidos abaixo do preço de custo. Se assim não for, é melhor que apodreça.
Por outro lado, não entendo por que razão o Grupo Carrinho raramente trabalha a dinheiro com as empresas do Estado. Operam na base de permuta aparentemente obrigatória. Isto é, a Carrinho fornece os insumos em troca dos produtos.
Dessa forma, as empresas do Estado que trabalham com o Grupo Carrinho permitem que essa empresa tenha enormes margens de lucro e mantenha o monopólio na distribuição dos produtos resultantes da agroindústria.
Por favor, não nos atirem mais areia aos olhos. Será que os assessores do Presidente da República não lhe dizem a verdade?
Rogamo-vos que lhe digam a verdade.
*Jurista