Grupo Carrinho é o representante legal das FAA ou do Estado? – Maria Luísa Abrantes
Grupo Carrinho é o representante legal das FAA ou do Estado? - Maria Luísa Abrantes
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Há anos que perdi o hábito de ler o Jornal de Angola, para salvaguardar a minha saúde mental, porque espelha notícias que raramente refletem a realidade do que se passa no nosso país. Muito menos relata a vida dificílima que a maioria dos cidadãos vive no seu dia a dia.

Todavia, como o referido jornal circula pelo WhatsApp, alguns títulos chamam-me a atenção quando não consigo fechá-los a tempo.

Foi assim que, no dia 22 do corrente mês, deparei-me com uma notícia estampada na 1.ª página do JA, informando que seria criado um Observatório para “monitorizar a evolução da segurança alimentar em Angola”.

  • Será para monitorar o monopólio despudorado do Grupo Carrinho?

  • Será para monitorar os concursos públicos que, quando acontecem, são limitados?

  • Será para monitorar as empresas dos libaneses, que lideravam o fornecimento de produtos agro-industriais no passado e que, apesar de aparentemente relegadas para um segundo plano, continuam a “dar as cartas”?

  • Será para monitorar os negócios do brasileiro/japonês Minouro Dondo, que, quem conhece, diz ter começado a distribuir cabazes a dirigentes durante a quadra festiva?

  • O que é que tal Observatório vai observar?

Acabaram-se os concursos públicos para as Forças Armadas Angolanas (FAA), assim como para os entrepostos logísticos, porque o Grupo Carrinho, por ajustes diretos, tem o monopólio de quase tudo.

Os produtos agrícolas de produção nacional, que não pertençam ao Grupo Carrinho, a alguns dirigentes e generais, não têm acesso às vendas, porque quase não há concursos públicos.

Com todo o descaramento, respondem-nos por escrito para contactarmos o Grupo Carrinho. Será que o Grupo Carrinho é o representante legal das FAA ou do Estado?

Vem daí o Grupo Carrinho, que nos está a levar a todos de “carrinho” (não sei de quem) e exige que os produtos agrícolas lhes sejam vendidos abaixo do preço de custo. Se assim não for, é melhor que apodreça.

Por outro lado, não entendo por que razão o Grupo Carrinho raramente trabalha a dinheiro com as empresas do Estado. Operam na base de permuta aparentemente obrigatória. Isto é, a Carrinho fornece os insumos em troca dos produtos.

Dessa forma, as empresas do Estado que trabalham com o Grupo Carrinho permitem que essa empresa tenha enormes margens de lucro e mantenha o monopólio na distribuição dos produtos resultantes da agroindústria.

Por favor, não nos atirem mais areia aos olhos. Será que os assessores do Presidente da República não lhe dizem a verdade?

Rogamo-vos que lhe digam a verdade.

*Jurista

  • OBS: O título estampado é da inteira responsabilidade deste jornal, em substituição do original “Os assessores do PR e as estratégias para a Segurança Alimentar”.

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