
Em Luanda, a crise alimentar está a forçar várias adolescentes do distrito urbano de Zango, no município de Viana, a recorrer à profissão mais velha do mundo (prostituição) em troca de um pacote de massa ou um quilo de arroz, para saciar o ingrato estomago.
Esta situação tem gerado uma ampla condenação ética e moral, tanto por parte dos pais e encarregados de educação como pela comunidade em geral, conforme análises do Imparcial Press.
Em declarações exclusivas ao Imparcial Press, feitas hoje, segunda-feira, 26 de Agosto, as jovens afectadas apontam a grave crise económica e financeira como a principal causa do seu comportamento desviante.
Muitas destas adolescentes, moradoras nos bairros Zango 2 e 3, cujas famílias enfrentam graves carências, viram-se obrigadas a buscar a prostituição e actividades criminosas como meio de sobrevivência.
Beatriz e Conceição Lombo, duas irmãs residentes em Zango 2, afirmaram que nunca desejaram entrar no mundo da prostituição. “Viemos de uma família cristã e nunca foi nossa intenção recorrer à prostituição. No entanto, as condições precárias em que vivemos, juntamente com o desemprego prolongado dos nossos pais, forçaram-nos a esta alternativa. Esperamos, eventualmente, sair desta situação”, disseram.
Josefa Pires, de 19 anos e mãe solteira, residente em Zango 3, revelou que está envolvida na prostituição há mais de um ano. Apesar das dificuldades, Josefa não sente vergonha pelo seu trabalho, afirmando que é através desta prática que consegue sustentar o seu filho e pagar a renda da casa.
“Não sinto vergonha do que faço, pois é através disso que consigo garantir a alimentação do meu filho e manter a nossa casa”, afirmou sem pestanejar, soltando um sorriso assediador as nossas câmaras.
Catiana José Mbunga, de 18 anos, residente na rua da Dira, atribui a sua situação à má governação do actual Presidente da República, João Lourenço, e do seu elenco.
De acordo com Catiana, a dificuldade em encontrar um emprego digno é uma das principais razões que a levaram à prostituição. “São vários os factores, mas a má governação é a principal causa. Encontrar um emprego digno é extremamente difícil. Já procurei em muitas empresas, mas sem sucesso”, acusou.
Questionada sobre os preços dos serviços prestados, Catiana explicou que não há uma tarifa fixa. “O valor cobrado depende da posição socioeconómica do cliente e do tempo. Há dias em que não conseguimos ganhar nada por falta de clientes. Quando isso acontece, aceito qualquer oferta, mesmo que seja apenas um pacote de massa ou um quilo de arroz”, concluiu.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita