
Os residentes dos bairros Baixa de Cassanje, Casa Setenta e Boa-Fé, situados no município de Viana, província de Luanda, expressam preocupações crescentes com o elevado nível de criminalidade que assola diariamente as suas áreas.
De acordo com relatos obtidos pelo Imparcial Press, na manhã desta quarta-feira, 28, os bairros Baixa de Cassanje, Casa Setenta e Boa-Fé têm vindo a tornar-se alguns dos locais mais inseguros do município satélite. Os moradores relatam que a criminalidade ocorre a qualquer hora do dia, mesmo em plena luz do dia.
Kizua Gaspar e Jacob Paulo, residentes da Baixa de Cassanje há mais de seis anos, foram vítimas de um assalto à mão armada durante o dia, no qual lhes foram subtraídos todos os seus pertences, incluindo telemóveis, carteira, relógio, computador e outros objetos.
“No nosso bairro, ninguém consegue andar com tranquilidade, pois a criminalidade tomou conta da zona. Os assaltos ocorrem a qualquer hora, e nós fomos vítimas desses indivíduos em plena luz do dia. Perderam-nos tudo”, relatam.
Alfredo Dala, morador e estudante, corrobora a situação alarmante e critica a atuação dos agentes da Polícia Nacional, que considera ineficazes.
Segundo Alfredo, a criminalidade atingiu níveis preocupantes porque as autoridades responsáveis pela manutenção da ordem pública não estão preparadas para lidar com as situações de perigo que afectam a comunidade.
“Na Baixa de Cassanje, ninguém consegue sentir-se seguro, pois a polícia, que deveria controlar a situação, parece ignorar o problema. A segurança está em falta e não sabemos o que fazer”, lamenta.
A situação é igualmente preocupante nos bairros Casa Setenta e Boa-Fé. Domingos Graça e Maria, residentes destes bairros, afirmam que a crescente insegurança tem erodido a confiança dos habitantes.
“Vivemos há mais de sete anos em Casa Setenta e Boa-Fé, e a situação é tão má quanto a de outros bairros em Cacuaco. Há brigas, confusões e assaltos todos os dias. O nome ‘Boa-Fé’ parece irónico, pois não há segurança. A polícia nem sequer se vê por aqui. Perdemos a confiança nas pessoas devido ao elevado nível de insegurança”, explicam.
O Imparcial Press procurou um comentário da socióloga Marieth da Costa, que considerou a situação alarmante e apelou ao Ministério do Interior para intensificar os esforços na restauração da ordem e tranquilidade para os residentes.
“Ninguém escolhe viver em uma sociedade em conflito. É crucial que o Estado, através do Ministério do Interior, implemente mecanismos eficazes para restabelecer a legalidade e a segurança que os cidadãos necessitam. A missão do Estado é proteger e garantir a segurança, liberdade e propriedade dos cidadãos. Não podemos permitir que a criminalidade mantenha os cidadãos em constante estado de turbulência”, afirmou.
O Imparcial Press também tentou contactar o porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Luanda, Nestor Goubel, para obter a sua versão, mas não obteve sucesso.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita