Membros do Conselho de Honra do MPLA “puxam as orelhas” a João Lourenço
Membros do Conselho de Honra do MPLA "puxam as orelhas" a João Lourenço
JL serio

O Conselho de Honra do MPLA instou ontem, quinta-feira, 29, ao presidente do partido, João Manuel Gonçalves Lourenço, que se abstenha de fomentar o clima de tensão que se tem instalado na organização em torno da sua sucessão.

A mensagem — uma espécie de abaixo-assinado — dos membros do Conselho de Honra do MPLA, segundo fontes do Imparcial Press, foi transmitida por Ismael Gaspar Martins e Santana André Pitra “Petroff” durante um encontro realizado no Palácio Presidencial.

De acordo com as fontes do Imparcial Press, o Conselho de Honra alertou João Lourenço para as possíveis consequências futuras caso insista em prosseguir com a sua abordagem, considerada por alguns como uma “guerra” declarada, contra o antigo secretário-geral Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, defensor do cumprimento estrito dos estatutos do partido, e o ex-presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, que tem manifestado nos bastidores a intenção de concorrer à liderança do MPLA.

Durante o encontro, o presidente do MPLA — que tem expressado a intenção de concorrer a um terceiro mandato à frente do partido e da República, à margem dos documentos orientadores do MPLA e da Constituição da República de Angola — defendeu a sua posição, acusando alguns dos seus “camaradas” de prejudicarem a sua reputação e imagem.

A reunião, segundo a fonte do Imparcial Press, durou menos do que o tempo inicialmente previsto (uma hora), devido aos “ralhetes” e “puxões de orelhas” que João Lourenço recebeu dos dois membros do Conselho de Honra do MPLA, órgão criado em Dezembro de 2021.

No final do encontro, João Lourenço comprometeu-se a analisar cuidadosamente a mensagem transmitida pela “velha guarda” e a pronunciar-se em breve, aparentemente num tom reservado.

O Conselho de Honra do MPLA foi criado em Dezembro de 2021, durante a primeira sessão ordinária do Bureau Político do MPLA, eleito no VIII Congresso Ordinário do partido, que reelegeu João Lourenço para um segundo mandato como líder.

Este órgão é composto por 39 membros (alguns já falecidos), entre os quais José Eduardo dos Santos, Agostinho Rodrigues, Roberto António Francisco Victor de Almeida, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, Francisco Magalhães Paiva “Nvunda”, Amadeu Timóteo Malheiros Amorim, Santana André Pitra “Petroff”, José Diogo Ventura, Luzia Pereira de Sousa Inglês Van-Dúnem “Inga”, Maria da Conceição Roque Caposso, Maria Rufina Ramos da Cruz, Irene Judith de Sousa Webba da Silva, Teresa de Jesus Cohen dos Santos, Rodeth Teresa Makina Gil, João Luís Neto “Xieto”, António Fuamini da Costa Fernandes, António Paulo Cassoma, António dos Santos França “Ndalu”, Hermínio Joaquim Escórcio, Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento, Maria Eugénia da Silva Neto, José Domingos Francisco Tuta “Ouro de Angola”, Albina Faria de Assis Pereira Africano, Ndombele Mbala Bernardo, Benigno Vieira Lopes “Ingo”, Engrácia Francisco Cabenha “Rainha do 4 de Fevereiro”, Ismael Gaspar Martins, Brito Sozinho, Manuel Alexandre Duarte Rodrigues “Kito”, António Condesse de Carvalho Toka, Augusto Lopes Teixeira “Tuto”, Maria Ruth Neto, Desidério da Graça Veríssimo da Costa, Hendrick Vaal Neto, Emílio Guerra, Jorge Valentim, Helena Correia, Fernando Faustino Muteka e Justino José Fernandes.

Nos últimos dias, têm circulado nas redes sociais rumores sobre um suposto complô contra João Lourenço, alegadamente liderado por Dino Matrosse, que estaria a apoiar a ascensão do antigo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, à liderança do MPLA.

O ex-secretário-geral do MPLA, Dino Matrosse, negou categoricamente as acusações de conspiração contra João Lourenço, afirmando que são infundadas.

“Nós estamos aqui para defender sempre a população e a nação, não temos nenhum projecto pessoal. As pessoas que me conhecem, especialmente os mais velhos, sabem quem eu sou”, declarou Dino Matrosse.

O veterano do MPLA sublinhou que as informações que têm sido divulgadas sobre ele são contrárias aos princípios que defende, que visam a união e a prevenção de divisões internas, alertando para as possíveis consequências negativas dessas divisões.

Matrosse considerou normal que, com o término do mandato do actual presidente, surjam dois, três ou quatro candidatos à liderança do partido, observando que os estatutos do MPLA permitem múltiplas candidaturas.

“O estatuto do partido agora coincide com os mandatos estabelecidos na Constituição: são dois mandatos de cinco anos. Quando terminam, é o fim, e outro deve assumir. Não se deve esperar até 2027 para que surjam potenciais candidatos, é necessário que o candidato comece o seu trabalho antes, para ser conhecido, para congregar o partido e conduzi-lo à vitória”, explicou Dino Matrosse, destacando que essa é a sua visão pública.

“Que concorram sete ou oito [candidatos], deixem os militantes decidir. Não se deve impedir a apetência daqueles que querem concorrer”, acrescentou, sublinhando que há democracia interna no partido e que não há razão para “todo este alarido”.

Além do nome de Fernando da Piedade Dias dos Santos, têm sido mencionados outros possíveis candidatos, como o general Higino Carneiro, que já ocupou vários cargos no Governo, e o engenheiro António Venâncio.

Sobre a possibilidade de um terceiro mandato para Presidente da República, Dino Matrosse foi categórico: “A minha posição é clara, o estatuto do partido não permite e o MPLA não tem número de deputados suficientes para alterar a Constituição”.

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