
A menos de 48 horas do início oficial do ano lectivo 2024/2025, agendado para esta sexta-feira, 30, na província do Uíge, mais de 11 mil crianças e adolescentes no município de Cazengo, província do Cuanza Norte, estarão fora do sistema de ensino, que arranca na próxima segunda-feira, 2 de Setembro.
Os dados foram divulgados ontem, quinta-feira, 29, pelo secretário do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) naquela província, Luís Dalla, através da sua página no Facebook.
De acordo com Luís Dalla, o município de Cazengo, situado no centro de Ndalatando, a capital provincial, enfrentará um número significativo de crianças fora do sistema de ensino este ano lectivo.
A redação do Imparcial Press consultou pais e encarregados de educação da região, que apresentaram graves denúncias sobre um alegado esquema de corrupção no processo de inscrição.
Segundo os mesmos, que preferiram manter-se anónimos por temer represálias, as suas crianças fazem parte das mais de 11 mil fora do sistema de ensino, sugerindo a existência de fraudes e corrupção que comprometem o processo.
Os encarregados de educação apontam para instituições de ensino em Ndalatando, como o Instituto Médio de Saúde (IMS) “Arminda Faria”, o Instituto Médio Normal de Educação “Comandante Benedito”, a escola do Catome e a Samora Machel, como locais onde, alegadamente, ocorrem práticas corruptas.
De acordo com eles, a obtenção de uma vaga nestas escolas tem sido um desafio devido a estes esquemas, afectando desproporcionalmente as crianças de famílias de baixa renda.
Em resposta, os encarregados de educação prometem unir-se a outros grupos de pressão para exigir a legalidade e a exoneração dos directores suspeitos de corrupção.
“(…) Houve um grande esquema de fraude e corrupção neste processo, senhor jornalista. Infelizmente, nossos filhos estão entre as mais de 11 mil crianças fora do sistema de ensino. Tem sido difícil conseguir vagas nas escolas de Ndalatando devido a estes vícios, especialmente no IMS, IMNE, Catome de Baixo e na Samora Machel”, alegaram, assegurando que “estes são os mais afectados pela corrupção. Por isso, desta vez, vamos manifestar-nos com outros grupos de pressão para exigir legalidade e pedir a exoneração desses diretores”.
Em resposta a esta situação e a outros problemas similares, a Sociedade Civil Contestatária (SCC) na província está a organizar uma manifestação pacífica. Segundo um documento obtido pelo Imparcial Press, a manifestação está marcada para 14 de Setembro.
A fonte do Imparcial Press indica que a manifestação visa, além da defesa dos interesses das mais de 11 mil crianças afectadas, exigir a exoneração dos directores corruptos e pressionar o governo local, representado por João Diogo Gaspar, a melhorar as condições sociais da população.
A redação do Imparcial Press tentou, sem sucesso, obter um comentário da delegação provincial da Educação.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita
