
A Inspecção Geral do Trabalho (IGT) identificou esta segunda-feira, 23, diversas irregularidades relacionadas com a empresa chinesa “Zhongah Hengtri”, especializada na fabricação de varões de aço, localizada no distrito urbano de Catete, município de Icolo e Bengo, província de Luanda.
Entre as principais questões encontradas estão a falta de condições adequadas de trabalho, alimentação e assistência médica para os trabalhadores angolanos.
A investigação da IGT foi desencadeada após uma denúncia pública, veiculada através de um vídeo amador publicado nas redes sociais, onde se observam agressões físicas a trabalhadores angolanos por um cidadão de nacionalidade chinesa.
Durante a visita, o inspector-geral adjunto da IGT, Leandro Cardoso, explicou que a situação exigia uma inspecção “in loco” para averiguar as condições reais na empresa chinesa “Zhongah Hengtri”.
A visita foi parte do programa “Trabalho Digno” da IGT e revelou várias irregularidades, incluindo a ausência de equipamentos de segurança, condições inadequadas de alimentação e saúde, bem como irregularidades nos salários.
O inspector-geral adjunto também relatou o caso de um trabalhador que sofreu queimaduras num acidente de trabalho, mas que não recebeu qualquer apoio médico.
Além disso, existem suspeitas de que a empresa não inscreveu os trabalhadores na Segurança Social, nem realizou as devidas contribuições tributárias.
Leandro Cardoso enfatizou que, dadas as infrações administrativas constatadas, existe a possibilidade de a empresa ser temporariamente encerrada por um período de 15 dias, com o intuito de resolver todas as falhas identificadas.
O inspector-geral adjunto reiterou que as visitas a empresas chinesas continuarão, com o objetivo de assegurar que estas cumpram as leis vigentes em Angola.
A empresa Zhongah Hengtri opera no município de Icolo e Bengo desde 2020 e actualmente emprega 325 trabalhadores angolanos e 37 expatriados.