
Circula de forma tímida, na mídia nacional e internacional, uma possível vinda a Angola do presidente norte-americano Joe Biden, uma visita que, em termos históricos, seria a primeira de um estadista americano no solo angolano e, em termos políticos, o auge da mais alta expressão diplomática do presidente João Lourenço.
Paira em nós uma nebulosa incerteza, porém o nosso sentido crítico evolutivo mantém-se para uma percepção a fundo daquilo que poderá ocorrer, na eventualidade desta visita realizar-se, visto que até ao momento que escrevemos está nobre análise, não houve nenhum pronunciamento da Casa Branca sobre a mesma.
Esta visita, acaba por ser uma faca de dois gumes onde, chama-nos atenção o momento sublime que a provável visita poderia ocorrer, de um lado, Angola está cotada com os piores índices de democracia, boa governação, pobreza extrema, liberdades de expressão e de imprensa, autoritarismo, corrupção e transparência, estes itens mencionados, os indicadores são claros e à situação de Angola tende a agudizar-se a cada dia.
Por outro lado, colocamos à presunção que poderá atiçar o investimento norte-americano no setor ferroviário, concretamente no corredor do Lobito, onde recentemente o embaixador norte-americano acreditado em Angola fez referência que constitui no maior investimento já feito até ao momento em Angola face à excelente cooperação entre os dois países.
Politicamente, entendemos que constitui numa faca de dois gumes, onde, por um lado, colocará o nome de Angola no radar internacional, que por consequência, dará lugar há uma ampla visibilidade e controlo por parte das organizações internacionais, colocando em xeque todos os actos governativos que têm sido praticado de forma contrária à boa governação, corrupção, o asfixiamento das liberdades e por fim, as irregularidades eleitorais que têm sido o mote para a manutenção do poder por parte do MPLA que governa o país desde a independência.
Com a eminente ânsia para realização do congresso extraordinário dos Camaradas, acaba por ser extremamente desafiante receber tal figura neste momento, pois a exposição do MPLA será de tal forma que com a indefinição da vontade de democratizar quer o país quer o MPLA por parte do presidente Lourenço, acaba por ser um factor de perigo para uma pretensão contrária aqui legalmente estatuída, desde à aceitação à múltiplas candidaturas a não alteração da constituição para um possível terceiro mandato.
Ao presidente norte-americano, caso venha de facto, esperamos que olhe para além dos recursos naturais, como fonte de receita para economia do seu país, mas que olhe para Angola na sua amplitude onde o princípio e o fim seja os angolanos, onde toda e qualquer vontade cooperativa expressa, resulte no desenvolvimento sustentável de Angola e dos angolanos.
Um até já (Joe)
*Jurista