
Nos últimos tempos, tenho acompanhado atentamente os preparativos do nosso celeiro de política, a JMPLA, um espaço histórico de formação de quadros juvenis comprometidos com a pátria e os princípios que o nosso partido representa.
No entanto, tenho observado com crescente preocupação as múltiplas notícias sobre a forma como o conclave está a ser organizado, revelando um ambiente repleto de controvérsias, interferências e uma falta alarmante de discernimento e de ética. A política, como bem sabemos, é um serviço ao coletivo que requer integridade como alicerce.
Para sermos verdadeiros políticos, devemos ter claro que a nossa missão primeira é servir ao partido com honestidade e lealdade, e, caso alcancemos posições de liderança, ampliar esse compromisso em prol do povo e da nação.
A política não pode ser o palco para aqueles que buscam, em primeiro lugar, benefícios próprios. Contudo, o que tenho presenciado — e é esta uma opinião pessoal de um militante do MPLA desde 2004 — é uma promoção de jovens que parecem estar imbuídos de motivações meramente pessoais, sem o devido compromisso de servir o partido e a nação de forma genuína e altruísta.
Este fenômeno levanta sérias preocupações, pois entre esses jovens percebo a ausência de carisma, de talento e, talvez mais preocupante ainda, de uma capacidade intelectual e moral que esteja à altura das responsabilidades que a liderança política exige.
Ao invés de sermos um exemplo, temo que estejamos a trilhar um caminho onde predomina uma postura de arrogância, e, não raro, um tribalismo que pouco contribui para a coesão e unidade do partido.
Se pretendemos formar jovens políticos para o futuro, é imperativo que promovamos aqueles que demonstrem uma sólida formação ética, que sejam humildes e educados, capazes de ouvir, aprender e de se colocarem a serviço do coletivo.
Ser militante de um partido não é apenas ocupar um título; é representar com dignidade e sabedoria os valores que esse partido defende. Devemos, portanto, primar pela seleção criteriosa de jovens que possuam não só competência, mas também uma disposição sincera para aprender e evoluir como verdadeiros servidores públicos.
Concluo esta reflexão com um apelo: que possamos, como militantes e dirigentes, colocar sempre os interesses do partido e da nação acima de interesses pessoais.
Que a nossa prática política reflita o mais alto nível de civilidade e respeito, tornando-nos exemplos dignos de emulação. Assim, juntos, poderemos construir um futuro que honre os valores do MPLA e inspire as futuras gerações a servir com coragem, dedicação e sabedoria.
*Militante do MPLA