As nossas contas em divisas, que rumo? – Arlindo Sicato
As nossas contas em divisas, que rumo? – Arlindo Sicato
Arlindo Sicato

Temos assistido ao longo dos anos a proliferação de negócios após a independência com a grande influência de agentes provenientes de vários países africanos já de lá com toda a experiência e espécie de manipulações de varias transacções fora do circuito oficial que para facilitar introduziram o conceito de “gasosa” chave para viabilizar uma variada fuga às normas e regulamentos para manutenção de um ambiente de negócios saudáveis ao Estado.

Começamos com a designação de candongueiros, esquemáticos, muambeiros, zungueiros e kinguilas estes últimos numa posição mais operacional e refinada.

A par dessa conjuntura os esquemas começaram a se diversificar tocando até áreas de reserva do Estado (comunicações, banca informal, saúde-medicamentos, educação, criptomoedas, etc..

Portanto, as duas figuras que operam no nosso mercado já comandam operações internacionais dentro do sistema financeiro do país, onde não vemos acções tendentes a desencorajar, ou por outro la do, legalizar essas práticas.

O caso que se verifica hoje em que quase falamos de um “banco nacional” paralelo bem exposto com uma rede de pequenos “ bancos comerciais” fortemente instalados no país por um lado, demonstra que o reitor das políticas financeira, monetária e de emissão da moeda passou o leme e alguém tomou as rédeas para lucrar de forma desmedida, gerando assim, inúmeros prejuízos ao Estado em matéria fiscal, comissões e outros dividendos.

Afinal, de onde vem esse poderio todo financeiro a escala nacional e internacional?

Por outro lado, essas transações somam anualmente lucros acima de milhares de milhões de várias moedas do cabaz internacional sem passar por estatísticas nem por estudos de impacto negativo para o sistema financeiro e económico do país sinalizando estimulando o aumento vertiginoso dos preços (gera inflação e reduz o poder de compra) em consequência da imposição de uma taxa de câmbio ilógico.

Porém, sem alternativas, os operadores económicos são obrigados a aceitar devido a aquisição de bens e serviços indispensáveis à sua actividade que são maioritariamente de importação. Assim, sem esse ‘senso’, o nosso Orçamento Geral do Estado (OGE) não reflecte a real receita arrecadada.

Esse exercício que tem estado a evoluir, revela um certo descontrolo na supervisão financeira e agrega uma grande preocupação porque afinal os bancos comerciais que são licenciados para operar no domínio cambial e corresponder com os bancos internacionais quase que não têm capacidade, disponibilidade e a assistem sem proteção a desvalorização dos kwanzas dos depositantes maioritariamente funcionários públicos e agentes económicos.

É preciso uma intervenção rápida para evitar o caos do empobrecimento acelerado. Será que o suporte de sustentação desse mercado (cidade financeira do mártires de Kifangondo) deve-se ao facto da banca não dispor de divisas mesmo estando ligados ao Estado?

Então os do paralelo, onde adquirem avultadas somas? Qual é o mistério?

Em suma essas lavandarias podem levar a introdução de actividades perigosas, compra de bens e serviços que venham a concorrer para muitas desgraças. Pior ainda essas actividades são controladas por estrangeiros muito deles não devidamente legalizados bem como da actividade que exercem.

Salvemos o nosso país desse saque desmedido para fortalecer o kwanza e dar dignidade ao Angolano a partir do seu salário com verdadeiro poder de compra.

*Economista e ex-vice ministro das Finanças

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