
O Bloco Democrático (BD) de Angola manifestou hoje uma séria preocupação com o processo eleitoral em Moçambique, particularmente após a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ter divulgado resultados que atribuem uma vitória expressiva à Frelimo e ao seu candidato, desconsiderando as denúncias de irregularidades graves cometidas por agentes eleitorais.
O partido alerta que a validação de um processo eleitoral permeado de alegadas fraudes prejudica tanto Moçambique como a estabilidade e os valores democráticos em África.
De acordo com o BD, o regime moçambicano ignorou os protestos e apelos dos cidadãos, de nações africanas e da comunidade internacional, ao validar um processo que o partido angolano classifica como uma “fraude grosseira”.
Para o BD, esta situação não se deve a falhas organizacionais, mas sim a uma intenção deliberada do regime de perpetuar-se no poder contra a vontade expressa dos eleitores.
O Bloco Democrático aponta que as irregularidades vão além da ausência de credenciação de fiscais da oposição e da designação de observadores nacionais alinhados ao partido no poder.
Denuncia ainda interrupções de energia durante a contagem de votos, desvios de materiais logísticos e alegado enchimento das urnas por presidentes de mesas de voto próximos da Frelimo.
Para o BD, os resultados foram manipulados ao sabor dos interesses dos líderes do regime, o que, considera o partido, constitui um “golpe de Estado”, merecendo repúdio firme das organizações regionais e internacionais, bem como a aplicação de sanções similares às dirigidas a golpes militares.
O BD defende que os Estados africanos devem mobilizar a diplomacia para promover uma solução negociada e justa que possa restaurar a paz e a estabilidade nacional.
Em nota, o partido angolano expressa solidariedade para com os protestos pacíficos que têm decorrido em Moçambique e condena a resposta policial, marcada, afirma, pelo uso de munições reais, resultando em várias mortes e detenções.
O BD insta a Comunidade Internacional a adotar uma postura firme, como a observada em crises similares, para que o regime moçambicano respeite a integridade do processo eleitoral e assegure a proteção dos manifestantes e dos seus líderes.