
A ministra da Educação informou, na última segunda-feira, em Luanda, que ainda há escolas com um número insuficiente de carteiras e explicou que o problema é resultante da desaceleração registada, em Agosto, no processo de distribuição, devido às eleições gerais.
Luísa Grilo, que falava a jornalistas no final de uma cerimónia de lançamento do Programa de Bolsas de Estudo para alunos do I ciclo do Ensino Secundário Público e Público/Privado, comentava, pela primeira vez, o caso do professor Diavava Bernardo, da escola 5.108, situada no município de Viana, que, no dia 13 deste mês, organizou uma marcha contra a falta de carteiras na escola onde lecciona, envolvendo mais de 300 alunos, entre crianças e adolescentes.
A marcha, que teria como destino a Administração Municipal de Viana, foi interrompida por agentes da Polícia Nacional, que deram ordem de prisão ao professor Diavava Bernardo, cujo caso viralizou nas redes sociais.
A titular da pasta da Educação confirmou o regresso do professor à liberdade e declarou que Diavava Bernardo desrespeitou a direcção da escola, tendo, por esta razão, a governante acentuado que a acção do docente vai receber, disciplinarmente, uma “resposta adequada”, em função do que vai ser, efectivamente, apurado.
“A escola 5.108 constava da segunda fase do processo de distribuição de carteiras”, revelou Luísa Grilo, sublinhando que, se o professor tivesse dialogado com a direcção da escola, estaria devidamente informado sobre o plano de distribuição de carteiras.
A ministra da Educação deu ênfase ao facto de as autoridades do município de Viana terem feito um plano de distribuição de carteiras escolares, estabelecendo uma ordem de prioridades.
Luísa Grilo, um quadro com mais de 30 anos de serviço público no sector da Educação, adiantou haver já muitas escolas com carteiras novas, enquanto outras ainda estão por receber, cujo número não adiantou na conversa com jornalistas.
A ministra da Educação afirmou que, por ter mobilizado crianças e adolescentes para uma marcha, o professor foi “imprudente” e expôs os envolvidos na acção a vários perigos, numa das estradas com intenso trânsito na província de Luanda.
A titular da pasta da Educação sublinhou que há escolas com carteiras degradadas, por força da acção de alunos e de elementos da própria comunidade, e outras com um número insuficiente de carteiras, por serem muitas vezes vandalizadas e assaltadas.
O professor Diavava Bernardo foi posto em liberdade pelo Ministério Público, sob termo de identidade e residência, 24 horas depois da sua detenção.
Terá contribuído para a decisão do Ministério Público uma deslocação à escola 5.108, localizada na Estalagem, de uma magistrada, que confirmou haver alunos que estudam em condições precárias, o que pode ser constatado, por exemplo, em salas com um número insuficiente de carteiras.