MPLA: Monarquia partidária – José Carlos de Almeida
MPLA: Monarquia partidária - José Carlos de Almeida
MPLA

Pensei que no meu partido houvesse muitas luzes e convicções. Pensei que muitos tivessem noção de palavras como ‘democracia’, ‘congruência’ e ‘Direito’. Pensei que muitos pensassem com a sua própria cabeça.

“Um soldado quer chegar a general” — é o que se diz nas Forças Armadas. Do mesmo modo, em princípio, um militante de um partido político almeja assumir funções de natureza individual no seio do seu partido.

Contudo, no Congresso Extraordinário (anti-estatutário), que terminou, terça-feira, 17 de Dezembro, os congressistas renunciaram à possibilidade de concorrer ao cargo de presidente do partido em plena igualdade de direitos e de oportunidades com os demais “militantes aprincesados”, que terão o direito de concorrer ao cargo de presidente do MPLA.

Infelizmente, os candidatos do MPLA a Presidente e vice-Presidente da República passarão a ser designados pelo Comité Central, sob proposta do Bureau Político do partido.

Como é possível um verdadeiro político (militante do MPLA) renunciar o direito de chegar a ser líder do partido com base em eleições democráticas e com pluralismo de ideias?!

Será que os militantes que votaram a favor da deliberação inconstitucional, ilegal e anti-estatutária têm noção do conceito de “convicções políticas”?!

Um autêntico político não olha para as benesses. Um autêntico político fundamenta-se nas suas convicções e ideias políticas. As suas convicções distinguem-no dos politiqueiros.

Como membro do MPLA, fico triste por chegar à ilação de que muitos militantes do meu partido não têm ideias, nem convicções.

Um partido que não respeita a Constituição, as leis e o seu próprio Estatuto não tem rumo. Um indivíduo que não respeita a Constituição, as leis e os estatutos do seu partido é indigno de ser considerado líder. Um militante partidário que desconhece a essência do seu partido é um político sem norte.

Com base na deliberação do MPLA, o partido tornou-se numa “monarquia partidária” com um rei, uma rainha e alguns príncipes. Quem são os príncipes? Quem é o príncipe que está na primeira linha de sucessão?

Como é possível que um partido, com grandes responsabilidades políticas, por estar no poder há quase meio século, não seja um exemplo de democracia para a sociedade civil, nomeadamente para as associações desportivas?

*Escritor e militante do MPLA

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