Governo Provincial do Bié apreende meios da ENDE e gera controvérsia
Governo Provincial do Bié apreende meios da ENDE e gera controvérsia
GPBie

A apreensão de equipamentos e a detenção de uma equipa técnica da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) pelo Governo Provincial do Bié está a suscitar críticas, num episódio que ameaça comprometer esforços para melhorar o fornecimento de energia na Região Centro.

O incidente ocorreu no passado dia 22 de Dezembro, no município de Camacupa, onde uma equipa da ENDE, com o apoio do Governo Provincial de Benguela, realizava a remoção de um transformador de potência de 1.250 kVA.

O equipamento seria transferido para o município do Cubal, em Benguela, que enfrenta severas restrições no fornecimento de energia há mais de um ano.

Segundo a ENDE, a Central Térmica de Camacupa e os seus equipamentos são activos pertencentes exclusivamente à empresa, cabendo à mesma a sua gestão e remanejamento para atender às necessidades energéticas do país.

Actualmente, o município de Camacupa é abastecido pela Central Hidrotérmica da PRODEL, reinaugurada no ano passado, tornando o equipamento em questão excedente na localidade.

O director da Região Centro da ENDE, Gelson Mando Falo Pinto, explicou que a operação visava dar resposta às necessidades urgentes da população do Cubal, no âmbito de uma coordenação entre a ENDE e o Governo de Benguela.

No entanto, a operação foi interrompida por orientação do Governo Provincial do Bié, que ordenou a apreensão dos meios técnicos, incluindo um camião-grua, e a detenção da equipa no local.

A ENDE classificou a medida como injustificada e apelou à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a libertação imediata dos profissionais e dos equipamentos, considerando a acção um obstáculo desnecessário à melhoria do fornecimento de energia em outras regiões.

“A Central Térmica de Camacupa é um activo da ENDE, cuja gestão compete exclusivamente à empresa. A sua remoção foi devidamente planeada para atender ao interesse público”, sublinha o documento enviado à PGR em posse do Imparcial Press.

A decisão do Governo do Bié gerou críticas sobre a falta de coordenação entre instituições públicas. Especialistas alertam que atitudes como esta podem atrasar a execução de projectos estratégicos e comprometer o acesso da população a serviços essenciais, como a electricidade.

O episódio levanta questões sobre o alinhamento entre os governos provinciais e empresas estatais em Angola, reforçando a necessidade de maior cooperação e transparência na gestão de recursos públicos.

A ENDE espera uma resolução rápida do caso para evitar impactos negativos no fornecimento de energia ao município do Cubal, destacando que a energia eléctrica é essencial para o bem-estar das populações e o desenvolvimento económico do país.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido