Cubango: Governador nomeia 9 familiares para cargos de administradores municipais
Cubango: Governador nomeia 9 familiares para cargos de administradores municipais
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Com a entrada em vigor da nova divisão político-administrativa no dia 1 de Janeiro de 2025, a antiga província do Cuando Cubango foi desmembrada, dando origem às províncias do Cuando e do Cubango. Todas as comunas foram elevadas à categoria de municípios, aumentando a responsabilidade administrativa e política nas regiões.

No entanto, a implementação da reforma no Cubango está a ser marcada por controvérsias. O governador José Martins envergou-se em práticas de nepotismo.

Usando as prerrogativas e o poder que as leis lhe conferem, o governador nomeou familiares próximos para os cargos de administradores municipais, colocando a gestão daquela área administrativa nas mãos dos seus parentes.

Dos 11 municípios que compõem a província do Cubango, segundo apurou o Imparcial Press, nove são dirigidos por familiares do governador José Martins, o que constitui uma clara violação da Lei da Probidade Pública.

Os familiares do governador são:

  • Roberto de Jesus Kalie Biwango, administrador municipal de Menongue, é primo do governador (filho de um tio falecido).

  • Manuel Tuta Mateus Miguel, administrador municipal do Tchinguanja, sobrinho do governador (filho da ex-deputada do MPLA Sara Luísa Mateus).

  • José Ernesto da Silva, administrador municipal do Longa, é primo do governador (filho do tio do governador).

  • Augusto Domingos Manuel, administrador municipal de Nancova, é também primo (filho da tia do governador).

  • Luís Paulo Vissunjo, administrador municipal do Cutato, é cunhado do governador (casado com a sua irmã).

  • Laura Caveto, administradora municipal do Mavengue, parente do governador (foram os seus pais que receberam José Martins aquando da sua vinda do Cuito Cuanavale).

  • Benjamim Dumba João, administrador municipal do Cuangar, sobrinho (filho da irmã do governador).

Além disso, as administrações municipais de Savate e Calai foram atribuídas a Ana Paula Baptista e Adélia Muambeno Samuel, respectivamente.

Segundo informações, ambas têm ligações pessoais com figuras próximas ao governador: uma seria amante do director do gabinete do governador e a outra de um empresário local, Francisco Chicote.

A Lei da Probidade Pública proíbe expressamente nomeações que favoreçam familiares ou pessoas próximas, com o objetivo de garantir imparcialidade e meritocracia na administração pública.

Contudo, as decisões de José Martins levantam dúvidas sobre o cumprimento da lei e os critérios utilizados nas nomeações.

Estas práticas suscitam preocupações em torno da transparência e da ética na gestão pública, particularmente numa província recém-criada que deveria servir como modelo de boa governação no contexto da reforma administrativa em Angola.

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