
Há dias o Parlamento realizou mais uma daquelas sessões plenárias entediantes que leva qualquer um a bocejar ou a dormitar. O debate foi estéril. Pueril. Uma espécie de discussão informal entre piriguetes na esquina da rua lá do bairro.
O líder do Grupo Parlamentar do MPLA entendeu dar gás ao debate. Joaquim António Carlos dos Reis Júnior apertou no acelerador e desafiou a UNITA a mostrar os seus “grandes feitos” durante os 50 anos de independência.
Das duas, uma: Ou Reis Júnior anda alheio e alegremente na política a ver a banda a passar ou tem de aumentar a graduação dos seus óculos.
Os feitos da UNITA ao longo de cinco décadas estão à vista de quem os quer ver: O saldo da guerra! O processo de reconstrução nacional – uma gesta iniciada depois de 2002 – só existe porque durante 50 anos a UNITA andou a devastar o país de armas na mão.
Dir-me-ão que este discurso é inapropriado e descontextualizado. Mas esta é a História da UNITA. Uma História escrita com sangue e à sangue. Quer goste ou não, tem de se acostumar a conviver com essa narrativa para o resto da sua existência.
O MPLA é hoje um partido muito poderoso por obra e graça da UNITA. A corrupção atingiu o grau que atingiu em todos os sectores da vida nacional por causa da UNITA.
Várias gerações foram malformadas por causa da UNITA. Há dirigentes sem qualidade intelectual ou académica que ocupam lugares cimeiros na política por causa da UNITA.
A incompetência governativa que se regista de 1975 até à presente data deve-se à UNITA. A injustificada guerra de quase 30 anos desencadeada pela UNITA agigantou o MPLA e adiou o País.
O maior feito da UNITA é sem dúvidas um e único: A guerra que ceifou vidas inocentes e esventrou de forma transversal o tecido sócio-económico nacional.
Reis Júnior sabe disso. Por isso tem de deixar de falar pelos cotovelos. Tem de começar a saber o que diz e a dizer o que realmente sabe e não diz, sob pena de ser tido e visto como um Júnior fala barato.
*Jornalista