
“Se a gente não se respeita, ninguém vai respeitar a gente.” – Inácio Lula da Silva
Desde ontem, tenho recebido mensagens pedindo a minha opinião sobre as nomeações dos três novos vice-governadores nos dois Moxicos. Em destaque, está a exoneração do competente e meu vizinho, o Dr. Victor da Silva.
Reconheço as qualidades do Dr. Victor, apesar de ser uma pessoa reservada. Sei que, na academia, é um excelente profissional. Embora o nosso primeiro contacto não tenha sido dos melhores – na época em que ele estava na ex-UJES –, considero isso algo normal, já que era o seu local de trabalho e todas as instituições têm as suas regras. Aproveito este momento para pedir desculpas pela situação.
Não o fiz antes para não parecer que precisava de um favor, mas acredito que este seja o momento adequado. Talvez o Dr. já tenha até se esquecido do ocorrido.
Voltando ao assunto, é comum que políticos não valorizem competências quando percebem que alguém não está alinhado com os seus interesses.
Antes da exoneração do Dr. Victor, eu já alertava que, na primeira mudança dos vice-governadores, ele seria o primeiro a ser afastado.
Infelizmente, é uma prática recorrente usar pessoas e descartá-las quando deixam de ser úteis. Espero que esse não seja o caso do Dr. Victor da Silva, pois Angola ainda precisa muito dele.
Quando comentei sobre a chegada de Crispiniano à região Leste, não quis dizer que pessoas de outras regiões não pudessem governar-nos. Mas, assim como temos governadores de outras regiões em Huambo, Bié, Luanda, Lubango e demais províncias, também deveríamos ter administradores, vice-governadores e outros cargos de liderança ocupados por filhos da região Leste noutras partes do país.
Não sou tribalista; sou defensor da verdade. Quando o senhor Ernesto Mwangala foi nomeado, eu contestei e continuo a contestar.
Não tenho nenhum problema pessoal com ele, pois é da região, e isso não seria um impedimento. No entanto, as suas acções não têm sido positivas, e, como cidadão, tenho o direito de reivindicar quando os governantes não cumprem com excelência.
Pode parecer brincadeira, mas a região Leste é a única onde pessoas de outras províncias chegam, governam, enriquecem e partem, sem deixar nada para nós.
Nossos irmãos ricos não investem aqui, e, quando alguém tenta, é rotulado e combatido até ao último dia. Bajulamos quem vem de fora, enquanto criamos barreiras para os nossos próprios conterrâneos, que mereceriam nosso apoio.
No Moxico Leste, a falta de união é evidente. João Lourenço colocou o seu estagiário para nos governar, o que seria normal se os vice-governadores fossem daqui. Temos quadros qualificados, com as mesmas capacidades que os outros, e merecemos oportunidades.
Se o governador é do Cunene e agora trouxeram também os seus vices, quem será o comandante provincial da Polícia Nacional? O delegado das Finanças? E os demais cargos estratégicos?
O mesmo acontece no outro Moxico/Luena, onde o delegado do MININT, o delegado das Finanças e até o representante do setor petrolífero são de fora.
Qual é o problema? A região Leste tem filhos espalhados pelo mundo inteiro. Não seria melhor trazer um filho da terra, com experiência, para nos governar?
Obsessão por cargos
Os jovens precisam entender que cargos são temporários. Quem sobe deve ter em mente que, um dia, irá descer. Precisamos apostar mais em outras atividades e não depender apenas de cargos públicos.
Quando chamo a atenção para esses pontos, não é porque tenho interesse nesses cargos, onde se pode ser nomeado de manhã e exonerado à tarde. Isso é normal. Tenho caminhado bem, e a minha estrada está a ser construída da forma como sempre planejei.
Hoje, por exemplo, em um grupo de cinco jovens, quatro me conhecem na província. Imagina, em um universo de tantos jovens, ser destacado assim? Eu, que vim das aldeias da Cameia, já considero isso uma grande conquista.
Dentro do que planejei para a minha vida, faltam menos de seis coisas para realizar. Portanto, não estou preocupado com os vossos cargos, porque nem sabem o que realmente quero. A minha luta é para que valorizemos o que é nosso, pois isso nos fará grandes novamente.
Um povo que ontem foi tão grande, hoje é tratado como o último, mesmo vivendo na terra mais rica da África. Um povo que já teve um império, hoje chora por um cargo?
Vamos estudar o passado e recuperar a nossa identidade. Precisamos organizar-nos e valorizar o que é nosso, pois só assim reconstruiremos a nossa grandeza.
*Activista