A luta contra a cólera em Angola – Daniela Miguel
A luta contra a cólera em Angola - Daniela Miguel
hospital

A cólera, uma infecção bacteriana transmitida principalmente por água e alimentos contaminados, continua a ser uma ameaça significativa à saúde pública em Angola, com surtos recorrentes, especialmente na cidade de Luanda.

Como estudante de Medicina, tenho acompanhado de perto o impacto desta doença, que afecta principalmente as populações em áreas urbanas e periurbanas, onde as condições de higiene e saneamento básico são precários.

A cólera, provocada pela bactéria Vibrio cholerae, pode levar à morte em poucas horas se não for tratada adequadamente, devido à desidratação severa causada por diarreia e vômito.

Historicamente, a cólera tem sido um problema persistente em várias partes do mundo, especialmente em regiões com condições sanitárias deficientes.

Em Angola, a doença foi identificada, pela primeira vez, em 1973, e desde então, surtos periódicos têm afectado diversas regiões do país, com destaque para Luanda, onde a falta de infra-estrutura básica de saneamento e a rápida urbanização geram condições ideais para a propagação da doença.

O impacto da cólera sobre a saúde pública em Angola é profundamente negativo, não apenas em termos de mortalidade, mas também em relação ao Sistema de Saúde, que se vê sobrecarregado com a necessidade de tratamento de casos agudos.

É nesse contexto que o Governo angolano, por meio do Ministério da Saúde (MINSA), tem implementado acções relevantes para combater os surtos de cólera e melhorar a resposta da saúde pública.

Os métodos de prevenção da cólera são fundamentais para reduzir a incidência da doença e proteger as comunidades vulneráveis. A principal estratégia é a melhoria do saneamento básico, com investimentos na construção de sistemas de abastecimento de água potável e tratamento de esgoto.

A falta dessas infra-estruturas é um dos maiores desafios enfrentados pelo país, e sua implementação deve ser uma prioridade nas políticas públicas.

Campanhas de sensibilização também desempenham um papel crucial na prevenção da doença. Ensinar a população sobre a importância de lavar as mãos com água e sabão, consumir apenas água tratada e evitar o consumo de alimentos de origem duvidosa pode reduzir, significativamente, a transmissão da bactéria.

O Governo e organizações internacionais têm realizado essas campanhas em escolas e comunidades mais afectadas, com resultados promissores.

A vacinação contra a cólera é outra estratégia essencial, especialmente em áreas de alto risco. Campanhas de vacinação em massa foram realizadas em Angola com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), ajudando a reduzir a incidência da doença.

Entretanto, a vacinação sozinha não é suficiente para erradicar a cólera; ela deve ser combinada com melhorias no saneamento e na educação sanitária.

Por fim, a cooperação regional e internacional deve ser incentivada. Como a cólera não conhece fronteiras, a colaboração com países vizinhos e organizações internacionais pode melhorar a troca de informações, recursos e estratégias de controlo.

A experiência adquirida por outros países que enfrentaram surtos semelhantes pode ser um recurso valioso para Angola no combate à doença.

O combate à cólera em Angola é um desafio contínuo, mas com a combinação de medidas imediatas e soluções a longo prazo, é possível controlar e, eventualmente, erradicar a doença.

A resposta do Governo angolano tem sido positiva, mas é fundamental que haja continuidade e reforço nas políticas públicas, com o investimento em infra-estrutura, educação e melhorias no Sistema de Saúde. Apenas assim poderemos garantir um futuro mais seguro e saudável para a população angolana, livrando-a da ameaça constante da cólera.

*Estudante angolana de Medicina Geral na Rússia (Cidade de Kaluga)

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido