
O Procurador-Geral da República (PGR) de Angola, Hélder Pitta Grós, admitiu que a conclusão do processo-crime contra o ex-vice-Presidente da República, Manuel Vicente, continua dependente da cooperação internacional, a qual nem sempre responde de forma satisfatória.
Segundo o magistrado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém-se empenhada na investigação que envolve o ex-presidente da Sonangol, mas o trabalho decorre com paciência e serenidade, dado o carácter complexo do caso.
“Estamos a trabalhar nesse processo, mas recolher provas nem sempre é fácil. Sabem que o engenheiro Manuel Vicente está no exterior, e esses crimes financeiros foram cometidos em vários países. Dependemos muito da cooperação de outras nações, mas esses países também têm as suas estratégias e políticas, que nem sempre correspondem às nossas necessidades”, afirmou Pitta Grós, em declarações à agência Lusa, no final de uma palestra sobre “O Início da Luta de Libertação Nacional”, organizada pela PGR.
O responsável reconheceu que a investigação enfrenta desafios e que não há informações concretas a divulgar neste momento, reforçando a necessidade de uma abordagem cautelosa e estratégica.
Desde 2022, as autoridades angolanas assumiram estar a trabalhar num caso contra Manuel Vicente, que beneficiou de imunidade legal durante cinco anos após a sua saída do Executivo, em setembro de 2017, no final do mandato do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
Em 2018, Portugal iniciou o processo conhecido como “Operação Fizz”, onde Manuel Vicente foi acusado de corromper o procurador português Orlando Figueira, situação que gerou um período de tensão diplomática entre Luanda e Lisboa. A crise foi ultrapassada quando o caso foi transferido para Angola, a pedido das autoridades angolanas.
Sobre o antigo líder da Sonangol e ex-‘número dois’ de José Eduardo dos Santos, recaem suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção e branqueamento de capitais durante o período em que exerceu funções na petrolífera estatal angolana.
Dado o impacto e a complexidade do processo, as dificuldades enfrentadas pela PGR continuam a levantar questões sobre a efetividade da luta contra a corrupção em Angola, especialmente no que diz respeito a altas figuras do regime.