Pitta Grós quando abre a boca entra mosca ou sai asneira – Artur Queiroz
Pitta Grós quando abre a boca entra mosca ou sai asneira – Artur Queiroz
Pitta Gros

Até Napoleão, os guarda-redes angolanos tinham nomes vulgares como Santiago, Lindinho, Ilídio, Paninho, Ramalhoso ou o incomensurável Benje rei das balizas em Angola e seus arredores, Portugal. Napoleão era mesmo imperador e fez grande o nosso D’Agosto, melhor clube do mundo. O desporto angolano está de luto.

O silêncio é muito volúvel. Tanto pode ser de oiro como cumplicidade de crimes graves. Os mais ousados metem as palavras debaixo do tapete e lá ficam silenciosas enquanto o circo arde. O problema é que o lixo escondido debaixo do luando continua a ser lixo.

A Procuradoria-Geral da República de vez em quando quebra o silêncio, mas a maior parte das vezes é para confundir e manipular, não para informar e esclarecer. Pitta Grós quando abre a boca entra mosca ou sai asneira.

O que disse sobre o processo-crime do engenheiro Manuel Vicente é ridículo. Está parado por falta de cooperação internacional! O senhor Procurador-Geral da República pensa que somos todos idiotas e ainda acreditamos no Pai Natal.

O mesmo deve pensar o presidente do conselho de administração da Autoridade Geral Tributária, senhor José Leiria. Está o circo em chamas e ele remete-se ao silêncio.

Um exercício de irresponsabilidade e cobardia. Ou conivência com os altos funcionário da instituição que foram detidos por suspeita de crimes graves.

A ministra das Finanças segue o mesmo caminho. Arrogância, irresponsabilidade e aproveitamento da sua condição de dirigente do MPLA. Prejudica deliberadamente o partido e ofende os seus militantes.

Os funcionários da Autoridade Geral Tributária, Pedro da Silva Lomingos e Alípio Edgar Pereira João, foram detidos e nada aconteceu no Ministério da Finanças.

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou a detenção do director do IVA e a resposta foi o silêncio que tanto pode ser dourado como cumplicidade.

O Titular do Poder Executivo, face a esta hecatombe para a credibilidade do Estado, pede às forças de segurança para redobrarem a atenção no contrabando de combustível e na criptomoeda. O dinheiro dos impostos a voar dos cofres públicos e está tudo bem no Ministério das Finanças.

O director do IVA é suspeito de os crimes de acesso ilegítimo ao sistema de informação, falsidade informática, associação criminosa e peculato.

Há indícios fortes do seu envolvimento “no esquema fraudulento de pagamentos por compensação, relativamente ao reembolso do IVA”.

O senhor Leiria fica calado. A senhora ministra Vera Daves vai trançar o cabelo, tirar medidas para uma nova toalete a condizer com os óculos e não é nada com ela. Volta Mobutu! Estás perdoado.

A desinformação é fruta da época. A manipulação igualmente. A propósito do 4 de Fevereiro as aldrabices e falsificações vieram à tona. Este ano serviram-se da figura do cónego Manuel das Neves para vomitarem o seu ódio ao MPLA.

Está em marcha uma campanha nacional e internacional para desacreditar o partido. Um dia destes põem a circular que a Proclamação da Independência Nacional, por Agostinho Neto, em 11 de Novembro 1975 nunca existiu. As imagens conhecidas são obra da inteligência artificial.

O MPLA não fez a Luta Armada de Libertação Nacional entre 4 de Fevereiro de 1961 e 22 de Outubro de 1974 quando a sua direcção assinou o cessar-fogo com Portugal, na chama do Luinhameje.

Eu nem estive lá. O Piçarra é que fez uns bonecos sobre isso. Pura brincadeira. Gostava de saber quanto recebem para fazerem estas figuras tristes.

O cónego Manuel da Neves teve um papel decisivo na direcção política da Revolução do 4 de Fevereiro. Ele era um nacionalista convicto e acima de tudo corajoso.

Na preparação da acção armada esteve sempre em contacto com dirigentes do MPLA. O seu interlocutor era Manuel Pedro Pacavira. Tenham em atenção que o MPLA actuava na mais rigorosa clandestinidade.

Ninguém andava a declarar o seu apoio ao Amplo Movimento e muito menos revelava o seu envolvimento na preparação do 4 de Fevereiro. A direcção do MPLA estava no exílio. Agostinho Neto, figura tutelar do 4 de Fevereiro, antes foi preso e deportado para Portugal.

Sim, o cónego Manuel da Neves tinha contactos com a UPA de Holden Roberto. Porque a direcção do movimento estava toda no exílio em Léopoldville (Kinshasa). Mas em Luanda não estava ninguém da UPA. Nunca esteve. Só depois do 25 de Abril 1974 os dirigentes vieram para Lunda. Mesmo depois dessa data, Holden Roberto primou pela ausência.

Holden Roberto nunca saiu de Kinshasa até ao dia em que se incorporou na coluna de mercenários, tropas zairenses, oficiais da CIA e militares portugueses do Exército de Libertação de Portugal (ELP) para marchar sobre a capital.

Parou no Morro da Cal e depois fugiu. Os contactos directos do cónego Manuel das Neves só podiam ser com o MPLA e nacionalistas das pequenas organizações nacionalistas nascidas em Luanda, que em 1956 e anos seguintes começaram a fundir-se no Amplo Movimento.

O cónego Manuel da Neves foi muito crítico da forma como decorreu a acção revolucionária do 4 de Fevereiro. Disse mesmo que não havia necessidade da perda de tantas vidas. Mas nunca pôs em causa a sua necessidade e a importância que teve na sociedade angolana.

Eu acho que o 4 de Fevereiro foi o mais importante feito do povo angolano. Vem agora Piçarra gatafunhar uns bonecos e dizer que é mentira.

Mara Quiosa anda pelo país para ressuscitar a mística do MPLA. Espero que tenha muito sucesso, mas temo que já seja tarde. Além de que está a ser apunhalada pela costas.

Circo em chamas no Ministério das Finanças e a resposta do Presidente da República é o silêncio. Dinheiro dos impostos a voar e o Presidente João Lourenço pede atenção às criptomoedas. Assim não dá.

Qualquer dia o Amplo Movimento é uma carapaça oca de valores e princípios. Onde a militância é substituída pelo oportunismo e a ganância.

*Jornalista

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