Médico denuncia aumento de abandono de pacientes no hospital do Cuanza-Norte
Médico denuncia aumento de abandono de pacientes no hospital do Cuanza-Norte
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O director clínico do Hospital Provincial do Cuanza Norte, António Costa, denunciou o aumento de casos de abandono, por familiares e outros tutores, de pacientes na instituição onde são submetidos a tratamento médico-medicamentoso, situação que diz preocupá-lo.

Por ocasião do 11 de Fevereiro (Dia Mundial do Doente), o responsável afirma ser “frequente o registo de pacientes, que após darem entrada no hospital ficam à mercê da instituição, por falta de comunicação e acompanhamento dos familiares”.

O médico apelou à reflexão da sociedade para inversão do actual quadro, esclarecendo que a maioria dos doentes nesta condição são provenientes de províncias da região Sul do país para trabalhar em fazendas agrícolas no Cuanza Norte.

Em questão de doença, os mesmos são levados ao hospital pelo empregador e “abandonados a sua sorte”.

Referiu que o hospital conta actualmente com quatro enfermos nestas condições que aludem não dispôr de qualquer contacto da família, nem dos proprietários das fazendas em que trabalhavam.

Por este facto, o hospital, para além da assistência médica, garante apoio alimentar, roupa, material de higiene e cuidados adicionais.

Brandão Cauelele, um dos pacientes saiu da província do Bié para trabalhar numa fazenda na localidade do Ngolome (município de Cambambe), onde teve uma lesão na perna enquanto cortava um pau com moto-serra.

Após o ocorrido, foi levado para o hospital provincial pelo proprietário da fazenda, com o qual não tem nenhum contacto desde o princípio de Janeiro de 2025, estando a sobreviver da alimentação cedida pelo hospital e da ajuda de pessoas de boa-fé.

Na mesma condição encontram-se os cidadãos Alceu Nicolau e Joaquim Pedro, provenientes da província de Malanje  e do município de Cambambe, respectivamente.

Os dois estão no hospital com fractura nos membros inferiores e estão na dependência da instituição, porque não têm contacto com os familiares.

Ambos  passam por dificuldades, sobretudo, por falta de roupa, produtos de higiene e canadianas para facilitar a locomoção.

André da Costa contou que desde o princípio do ano e com auxílio da Direcção da Acção Social,  a instituição procedeu ao funeral de quatro pacientes que faleceram após algum tempo hospitalizados, sem acompanhamento dos familiares.

O responsável revelou a aposta da instituição em reforçar a humanização dos serviços, sobretudo, a melhoria da assistência médica, aumento de serviços especializados, oferta de medicamentos e maior comodidade aos pacientes.

O Dia Mundial do Doente foi instituído pela Igreja Católica, a 11 de Fevereiro de 1992, sendo celebrado como uma data litúrgica dedicada à oração e caridade para com os enfermos.

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