
O Tribunal Militar da Região Militar Centro deu início, nesta terça-feira, ao julgamento de dois efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA), acusados de burla e corrupção passiva no âmbito de um esquema de recrutamento fraudulento.
Os arguidos são o capitão Ivan Pedro Manjanta, colocado no Centro de Recrutamento Militar (CRM) do Huambo, e o segundo sargento Domingos Max Dala.
Segundo a acusação, os dois teriam aliciado a cidadã Nangolo Natália Daniel Dungula, funcionária do Instituto Superior Militar do Huambo, prometendo-lhe quatro vagas nas FAA em troca de dinheiro.
Convencida pela oferta, a vítima entregou 400 mil kwanzas aos acusados em 2023, com o objectivo de garantir o ingresso dos seus quatro sobrinhos nas FAA.
No entanto, sem qualquer resposta ou cumprimento do acordo, apresentou queixa à Procuradoria Militar, levando ao processo judicial.
Polícias absolvidos após devolução de valores obtidos de forma ilícita
Na mesma sessão, o Tribunal da Região Militar Centro absolveu dois agentes da Polícia Nacional, inicialmente acusados de conduta indecorosa e abuso de poder.
O inspector-chefe Fernando Joel Camessa e o agente Pedro Mendonça enfrentavam acusações de cobrança indevida de 1,25 milhões de kwanzas em troca de promessas de enquadramento na Polícia Nacional de dois cidadãos.
Na leitura da sentença, o juiz-presidente do Tribunal Militar Centro, coronel Eurico Pereira, justificou a absolvição pelo facto de os réus terem devolvido os valores recebidos de forma indevida, reparando assim os danos causados às vítimas.
Apesar da decisão judicial, o magistrado destacou que a Polícia Nacional poderá aplicar sanções disciplinares, uma vez que a instituição mantém um compromisso com a integridade e a transparência no serviço às comunidades.