Censo2024: Direcção do INE ameaça recenseadores por exigirem pagamento
Censo2024: Direcção do INE ameaça recenseadores por exigirem pagamento
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Um grupo de recenseadores do Instituto Nacional de Estatística (INE), que prestou serviço no Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) 2024, denunciou atrasos no pagamento dos seus subsídios e alegou estar a ser alvo de ameaças por reivindicar os seus direitos.

Ao Imparcial Press, os trabalhadores, que assinaram contratos de prestação de serviços com o INE, afirmam que várias cláusulas contratuais foram violadas, incluindo os prazos de pagamento.

Segundo os recenseadores, deveriam ter recebido os seguintes valores:
• Contrato principal: 140 mil kwanzas
• Primeira adenda:
90 mil kwanzas
• Segunda adenda:
150 mil kwanzas
• Merenda diária:
2 mil kwanzas

Entretanto, até ao momento, muitos não receberam qualquer pagamento e outros foram classificados como “desistentes”, o que, segundo os denunciantes, impossibilita a recepção dos seus subsídios.

No dia 24 de Janeiro, um grupo de recenseadores deslocou-se ao INE, em Luanda, para exigir explicações sobre os atrasos nos pagamentos. No entanto, encontraram um forte contingente policial, com cerca de 80 agentes, que impediram a aproximação à direcção do instituto.

“Fomos espancados, ameaçados e levados à direção do 1º de Maio para impedir que chegássemos ao INE. Muitos polícias riam-se de nós com ironia e abuso de poder”, relataram ao Imparcial Press os trabalhadores.

Os recenseadores também acusam os responsáveis do INE e do Serviço Provincial do Instituto Nacional de Estatística (SPINE) de Luanda, nomeadamente Joaquim Panzito e Sílvio, de fotografarem os manifestantes e recolherem os seus contactos telefónicos, o que, segundo eles, resultou na detenção de alguns colegas.

“Estamos a ser ameaçados pelo director do SPINE e pelo senhor Sílvio. Disseram-nos que, se continuarmos a denunciar a situação, podem condicionar o pagamento dos nossos subsídios”, denunciaram.

Os recenseadores afirmam que o atraso nos pagamentos está a gerar sérios prejuízos financeiros, uma vez que muitos contraíram empréstimos para se sustentarem durante o período de trabalho.

“Trabalhámos e agora fomos colocados nas listas como desistentes. Isso prejudica-nos muito, pois tínhamos compromissos financeiros baseados no pagamento que nunca chegou”, lamentaram.

Diante da situação, os recenseadores apelam às autoridades competentes para que intervenham e garantam o pagamento imediato dos valores devidos.

“Somos jovens e queremos continuar a contribuir para o país, mas a falta de seriedade e o incumprimento dos contratos fazem-nos perder a confiança. Exigimos respeito e o pagamento do que nos é devido”, concluíram.

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