
Dois deputados do Grupo Parlamentar da UNITA, Francisco Fernandes Falua e João Quipipa Dias, foram detidos e espancados pela Polícia Nacional, este domingo, em Ndalatando, quando se preparavam para participar numa marcha pacífica convocada pela sociedade civil local.
No local, o Imparcial Press apurou que a acção policial contra os deputados do circulo provincial do Cuanza Norte ocorreu sob ordens do governador provincial, João Diogo Gaspar.
A manifestação visava exigir respostas das autoridades sobre os assassinatos em série de camponesas idosas a caminho das lavras, um fenómeno que já se arrasta há mais de um ano sem soluções concretas.
A província do Cuanza Norte tem vivido momentos de pânico e revolta devido ao aumento de homicídios brutais contra camponesas idosas.
O Imparcial Press sabe que, nos últimos meses, pelo menos 11 mulheres foram violadas e assassinadas nas proximidades do município de Cazengo, sem que houvesse avanços significativos nas investigações.
O caso mais recente ocorreu a 29 de Novembro, no bairro Tiro aos Pratos, onde Maria Caluanda, de 67 anos, foi encontrada morta em circunstâncias idênticas às vítimas anteriores: violada e estrangulada.
De acordo com os familiares da vítima, o boletim de óbito apresentou informações falsas, indicando que a morte teria ocorrido num hospital, o que reforça suspeitas de tentativa de encobrimento por parte das autoridades.
A falta de esclarecimento dos crimes tem alimentado críticas à actuação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Polícia Nacional. Moradores denunciam que as autoridades demonstram mais empenho em silenciar a divulgação das ocorrências do que em encontrar e responsabilizar os criminosos.
O clima de insegurança tem levado muitas camponesas a evitar as suas lavras, aumentando o receio de um impacto negativo na economia local, com a possível elevação dos preços dos produtos agrícolas.
Governador apela à colaboração da sociedade
Na última terça-feira, o governador João Diogo Gaspar apelou à colaboração da população no combate à criminalidade e à vandalização de bens públicos.
O pedido foi feito em encontros separados com autoridades tradicionais, o Conselho Provincial da Juventude e líderes religiosos, no contexto da crescente violência contra idosas em campos agrícolas.
Dados do Comando Provincial da Polícia Nacional apontam que, desde Fevereiro de 2024, foram registadas mortes de idosas em campos agrícolas ou no trajecto de ida e volta às suas casas, sem que as motivações dos crimes tenham sido esclarecidas.
Conforme a polícia, as vítimas são frequentemente atacadas em locais isolados, onde são violentadas sexualmente antes de serem mortas.
As autoridades tradicionais manifestaram preocupação com a insegurança e destacaram que muitas mulheres já evitam ir às lavras sem acompanhamento.
O porta-voz da Polícia Nacional no Cuanza Norte, inspector-chefe Edgar Salvador, recomendou que as camponesas apenas se desloquem para as suas actividades agrícolas em grupo, como medida de precaução.
O responsável acrescentou que dois suspeitos se encontram detidos, sendo que um deles confessou envolvimento em seis homicídios. O Ministério do Interior garantiu que está a intensificar os esforços para esclarecer os crimes e reforçar a ordem e a segurança pública na província.