
O Tribunal da Comarca de Luanda ordenou, pela segunda vez em dois meses, o encerramento do supermercado Big One, determinando a sua penhora e nomeando o Banco de Comércio e Indústria (BCI) como fiel depositário, noticiou o Novo Jornal.
O encerramento, ocorrido na terça-feira, decorre de uma batalha judicial que já se arrasta há três anos entre o supermercado e o banco credor, devido a uma dívida superior a 600 milhões de kwanzas.
O BCI pretende entregar a gestão do estabelecimento ao Grupo Carrinho, mas a empresa nega qualquer envolvimento no processo, alegando não ter interesse na administração do supermercado.
A administração do Big One assegura estar disposta a pagar a dívida, mas exige o cumprimento do contrato inicial, que previa um prazo de pagamento até 2034.
O BCI, por sua vez, rejeita a moratória e pressiona para que o pagamento seja efectuado em menor tempo, considerando o Big One um devedor em incumprimento.
De acordo com fontes do Big One citadas pelo Novo Jornal, a empresa deveria começar a amortizar a dívida em Julho de 2024, com prestações mensais de 60 milhões de kwanzas.
No entanto, alegam que, devido ao bloqueio da sua conta bancária por um ano, solicitado pelo próprio BCI, solicitaram um alargamento do prazo, que não foi aceite pelo banco.
“Ao invés dos dez anos acordados, sugerimos 11, daí a ‘birra’ do BCI para connosco”, afirmam fontes da empresa.
Informações indicam que o BCI deseja colocar o Grupo Carrinho na gestão do supermercado. No entanto, o gabinete de comunicação da empresa desmentiu qualquer intenção de assumir o Big One, esclarecendo que o seu único vínculo com o caso é o facto de ser proprietário do BCI.
“O problema é entre o banco e o Big One, não temos qualquer ligação com este processo nem interesse em abrir uma loja nesse espaço”, esclareceu o Grupo Carrinho.
Fontes ligadas ao Big One alegam que há interesses ocultos para tomar posse do edifício onde o supermercado opera, apontando que certas figuras estariam a influenciar instituições bancárias para impedir a obtenção de crédito por parte da empresa.
“Trabalhamos com o BCI há 35 anos e sempre honrámos as nossas dívidas. Agora, alguém dentro do BCI, que pertence à Carrinho e está no negócio, quer pôr a ‘loja Esquebra’ no Alvalade para obter notoriedade”, denunciou uma fonte do supermercado.
O Big One também acusa o tribunal de tomar decisões sem ouvir as partes envolvidas. “Não é possível que, numa sentença, as partes não sejam ouvidas. O tribunal apenas cumpre ordens de alguém. Estão a ganhar o processo na secretaria, o que é um cúmulo”, lamenta um dos responsáveis do supermercado.
O supermercado Big One já havia sido encerrado anteriormente, em 17 de Dezembro de 2024, por ordem judicial. No entanto, três dias depois, o tribunal revogou a decisão e autorizou a reabertura do estabelecimento.
Com este novo encerramento, o impasse entre o supermercado e o BCI parece longe de uma solução definitiva.