
Os restos mortais dos antigos generais da UNITA Altino Sapalalo, Antero Morais Vieira e Constantino Dala foram entregues às suas famílias esta sexta-feira, em acto solene, 25 anos após o seu desaparecimento.
A cerimónia decorreu nas instalações do Estado-Maior do Exército das Forças Armadas Angolanas (FAA), ex-RI20, sob a responsabilidade da Comissão de Reconciliação em Memória às Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP). O evento contou com a presença de membros do Governo, antigos colegas, familiares e amigos dos falecidos.
Com esta entrega, as famílias poderão agora realizar funerais condignos para os seus entes queridos, cujas ossadas foram localizadas em matas densas do Tchandji, município do Kuito, província do Bié, onde serão sepultadas.
Segundo relatos históricos, os três oficiais serviram na alta estrutura das FALA, o então braço armado da UNITA, e foram executados em abril de 2000, numa base militar da guerrilha, após terem sido alegadamente responsabilizados pela perda da batalha de assalto à cidade do Cuito, em dezembro de 1998.
O coordenador da CIVICOP e ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, destacou que a entrega dos restos mortais foi precedida de um rigoroso processo de verificação, testes laboratoriais e certificação genética.
“A missão está cumprida para estas famílias, mas para outras que ainda esperam encontrar os seus parentes, o trabalho continua. O nosso objectivo é localizá-los e permitir que tenham funerais dignos”, afirmou.
O governante reiterou o compromisso da CIVICOP em prosseguir com as buscas e investigações para garantir que outras famílias possam encontrar os seus entes desaparecidos. Apelou ainda à união de todas as forças políticas e sociais no sentido de contribuir para o sucesso deste processo.
O presidente do grupo parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka, considerou a entrega dos restos mortais um momento de profunda emoção e homenagem aos antigos combatentes.
“É um momento de grande comoção, de homenagem a três companheiros que deram a sua contribuição à Pátria durante o período de conflito armado”, destacou o deputado, manifestando solidariedade e respeito às famílias enlutadas.
Durante o acto, foram lidas cartas de homenagem e os presentes prestaram tributo aos falecidos, assinando os livros de condolências e apresentando cumprimentos às famílias.
A CIVICOP, criada em 2019 por iniciativa do Presidente da República, João Lourenço, integra representantes de departamentos ministeriais, órgãos de Defesa e Segurança, partidos políticos, confissões religiosas e sociedade civil.
O seu objectivo é coordenar acções de reconciliação e homenagem às vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 11 de novembro de 1975 e 4 de abril de 2002.