
O Banco de Poupança e Crédito (BPC) volta a estar no centro das atenções após a contratação da empresa portuguesa Informantem – Informática e Manutenção, S.A., envolvida em processos de corrupção, suborno e lavagem de dinheiro.
Sabe-se que a referida empresa esteve sob vigilância da Polícia Judiciária de Portugal desde 2018, devido à ligação do seu responsável, Henrique Carlos Caldeirão Muacho, com autarcas do Partido Social Democrata em Lisboa.
Após a divulgação do escândalo pela CNN, os proprietários da Informantem alteraram o nome da empresa para Bravantic, tanto em Angola como em Portugal, na tentativa de limpar os seus registos e manter a sua atividade nos dois países.
Fontes internas do BPC indicam que o presidente do Conselho de Administração (PCA), Cláudio Pinheiro, tem conhecimento das alegações contra a empresa, mas mantém o contrato em vigor, alegadamente por comprometimento com interesses internos.
O Banco Nacional de Angola segue com atenção a situação e aguarda um posicionamento da Direcção de Compliance do BPC, que tem autonomia para reportar irregularidades ao regulador sempre que estas representem riscos institucionais.
A relação entre o BPC e a Informantem remonta a 16 de Dezembro de 2020, quando o banco celebrou um contrato no valor de 582 mil euros, assinado por António André Lopes e Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, em representação do BPC, e Fernando Alves Lopes, da Informantem.
O contrato, denominado “Fornecimento, Instalação e Manutenção em Regime de Aluguer Operacional de Equipamento Informático para Atualização da Plataforma IBM”, previa a modernização da infra-estrutura de tecnologia do banco.
No entanto, fontes internas denunciam que a contratação pode ter servido para beneficiar determinados interesses empresariais e facilitar esquemas de favorecimento.
A continuidade da parceria entre o BPC e a Bravantic levanta questões sobre transparência e gestão de risco, colocando o maior banco público de Angola sob escrutínio das autoridades e da opinião pública.