Professores exigem devolução de mais de 239 milhões de kwanzas descontados ilegalmente pelo Ministério das Finanças
Professores exigem devolução de mais de 239 milhões de kwanzas descontados ilegalmente pelo Ministério das Finanças
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Um grupo de professores da província do Uíge, admitidos no concurso público de 2018, continua a aguardar a devolução de 239.846.292,80 kwanzas, montante que foi descontado indevidamente dos seus salários entre Junho e Dezembro de 2020, sem justificativa por parte da Delegação Provincial das Finanças do Uíge.

Os docentes, colocados em todos municípios da província, manifestaram-se junto da Delegação Provincial das Finanças, mas não obtiveram qualquer esclarecimento.

Posteriormente, recorreram ao Ministério das Finanças, que, por meio do ofício n.º 2451/60/01/GMF/2020, de 13 de Outubro de 2020, indeferiu o pedido, alegando que os valores descontados referiam-se a pagamentos indevidos efectuados em Fevereiro e Março de 2019.

Perante a falta de soluções, os professores apresentaram recurso ao Tribunal Supremo, que registou o caso sob o processo n.º 673/21.

Após análise, os juízes conselheiros da 2ª Secção da Câmara Cível julgaram procedente o recurso dos docentes, declararam nulo o despacho do Ministério das Finanças e determinaram a devolução integral dos valores descontados.

A decisão judicial foi comunicada às partes no início de 2023, estabelecendo um prazo de seis meses para que o Ministério das Finanças cumprisse o acórdão. No entanto, até ao momento, o reembolso não foi efectuado.

Em 23 de Outubro de 2023, o Ministério das Finanças foi formalmente notificado para cumprir a decisão do Tribunal Supremo, mas manteve-se em silêncio, desconsiderando a ordem judicial.

Os professores denunciam que a conduta da instituição representa uma violação do artigo 177.º da Constituição da República de Angola, que estabelece que “as decisões judiciais são de cumprimento obrigatório para as Partes e para todas as entidades públicas e privadas e prevalecem sobre quaisquer autoridades administrativas”.

Diante da falta de resposta e da contínua omissão por parte das autoridades, os professores cobram um posicionamento do Presidente da República sobre a conduta do Ministério das Finanças.

“Pelo andar das coisas, qualquer pessoa percebe que o Ministério das Finanças está a sobrepor-se à Constituição da República e ao Tribunal Supremo. Diante disso, só resta ao Presidente da República dizer se o MINFIN está acima da Constituição e dos Tribunais ou não”, afirmam.

A situação levanta preocupações sobre a observância do Estado de Direito em Angola, colocando em causa a eficácia das decisões judiciais e a garantia dos direitos dos cidadãos.

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