
A cólera continua a espalhar-se a um ritmo alarmante em Angola, com mais de 8.291 casos confirmados e 318 mortes registadas até sexta-feira, 21 de Março, segundo dados do Ministério da Saúde (MINSA).
A epidemia, que teve início em Janeiro, atinge várias províncias, deixando um rasto de sofrimento, medo e incerteza entre a população. A continuar neste ritmo, não restará outra alternativa senão o Governo decretar o estado de emergência.
No início desta semana, o governo da província do Cuanza-Norte decretou uma cerca sanitária na localidade do Luinha, município do Cazengo, devido ao surto de cólera.
A medida, de caráter preventivo, visa mitigar o impacto da doença na população e controlar a propagação do surto.
Nas últimas 24 horas, foram reportados 150 novos casos de infecção e cinco mortes, distribuídas pelas províncias do Cuanza Norte, Luanda, Bengo, Malanje, Icolo e Bengo e Benguela.
O boletim do MINSA detalha que, só nas últimas 24 horas, foram registados 59 casos no Cuanza Norte, 46 em Luanda, 15 no Bengo, 15 em Malanje, 9 em Icolo e Bengo e 6 em Benguela.
No mesmo período, 98 pessoas receberam alta médica, mas 256 continuam internadas, muitas delas em condições precárias devido à falta de infra-estruturas hospitalares adequadas e ao escasso fornecimento de medicamentos.
Desde Janeiro, Luanda lidera o número de casos com 4.072 infeções, seguida pelo Bengo (2.443 casos) e Icolo e Bengo (805 casos). O Cuanza Norte já contabiliza 416 casos, enquanto Benguela, Malanje, Zaire, Cuanza Sul, Cabinda, Huambo, Uíge, Huíla, Cunene e Cuando Cubango também registam infeções.
As mortes continuam a subir, com Luanda a ser o epicentro da tragédia, somando 152 óbitos. O Bengo já perdeu 92 vidas, o Cuanza Norte 34, Icolo e Bengo 21, Benguela 8, Malanje 6, Cuanza Sul 3, enquanto o Zaire e Cabinda registam 1 morte cada.
Especialistas alertam que a rápida propagação do surto pode colocar o país à beira de uma crise humanitária se medidas urgentes não forem implementadas.
Acesso precário a água potável, falta de saneamento básico e falhas na resposta sanitária estão a agravar a situação, levando milhares de famílias ao desespero.
A população, especialmente nas zonas mais afectadas, clama por ajuda urgente, temendo que a epidemia se torne incontrolável. Enquanto isso, hospitais e centros de saúde lutam contra a superlotação e a escassez de recursos, com relatos de doentes a serem tratados no chão devido à falta de leitos.
A pergunta que paira no ar é: quanto tempo mais será necessário para que as autoridades declarem estado de emergência e tomem medidas eficazes para conter esta catástrofe?