Tuberculose: Um apelo à acção para a vida – Nzuzi Katondi
Tuberculose: Um apelo à acção para a vida - Nzuzi Katondi
Nzuzi Katondi

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa que afecta principalmente os pulmões e é transmitida pelo ar quando as pessoas com TB pulmonar tossem, espirram ou cospem. É a principal causa de morte das pessoas que vivem com VIH e um dos principais contribuintes para a resistência antimicrobiana.

A Região Africana da OMS suporta um pesado fardo, com 2,5 milhões de novos casos e 404.000 mortes por ano, o que equivale a uma vida perdida em cada 78 segundos.

Angola encontra-se entre os 30 países com maior incidência de TB e de TB resistente aos medicamentos, registando uma média de mais de 65 000 casos por ano, incluindo cerca de 12% em crianças nos últimos cinco anos. A tuberculose é a terceira principal causa de morte em Angola, a seguir à malária e aos acidentes de viação.

Apesar de uma redução de 7,4% na taxa de incidência e de uma diminuição de 8,3% nas mortes por tuberculose entre 2015 e 2023, Angola tem de reduzir ainda mais a taxa de mortalidade por tuberculose para menos de 22%, para atingir o objectivo de 2025. A taxa de incidência estimada de TB resistente à rifampicina em 2023 era de 15,5 por 100 000 habitantes.

O Ministério da Saúde de Angola tem feito esforços significativos para combater a TB, expandindo a rede de serviços de diagnóstico e tratamento entre 2018 e 2023.

No entanto, estes esforços precisam de ser reforçados e subsistem vários desafios, como a sistematização do rastreio, especialmente nas prisões, a garantia de stock permanente de medicamentos para tratar a tuberculose, a implementação adequada do tratamento preventivo da TB (TPT), a garantia de uma elevada taxa de sucesso do tratamento e a redução da taxa de abandono do tratamento para menos de 5%.

Em resultado da cooperação e do apoio da OMS, dos parceiros e da sociedade civil, a luta contra a tuberculose (TB) em Angola está a ganhar ímpeto. Juntos, estão a apoiar o Ministério da Saúde de Angola na implementação de estratégias-chave destinadas a cumprir as metas ambiciosas estabelecidas pela reunião de alto nível da ONU de 2023 e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

As principais acções incluem o desenvolvimento e a implementação de planos estratégicos nacionais para o controlo da TB; a prestação de assistência técnica especializada para garantir intervenções eficazes; e a sensibilização e mobilização de fundos para apoiar vários aspectos do controlo da TB, incluindo o envolvimento da comunidade e o apoio nutricional.

Estes esforços são cruciais na batalha contra a TB, garantindo que as comunidades recebem o apoio de que necessitam para ultrapassar este desafio.

Ao assinalarmos o Dia Mundial da Tuberculose 2025, a 24 de Março, o Escritório da OMS para a Região Africana (AFRO) apela a todos os Estados-Membros, decisores políticos, prestadores de cuidados de saúde, sociedade civil e parceiros para que intensifiquem a sua acção e actuem com urgência.

O que é que se pode fazer para eliminar a tuberculose?
Como podemos garantir que ninguém é deixado para trás na luta contra a tuberculose?

Temos de agir! Precisamos de:
a) Aumentar o financiamento: Os governos e o sector privado têm de aumentar os investimentos em programas de investigação, tratamento e prevenção da tuberculose;

b) Reforçar os sistemas de saúde, melhorando os sistemas de vigilância e de dados para aumentar a detecção de casos e os resultados do tratamento;

c) Expandir o acesso ao diagnóstico e ao tratamento;

d) Assegurar que as ferramentas de diagnóstico rápido e os regimes de tratamento inovadores estão amplamente disponíveis;

e) Envolver as comunidades nos cuidados da TB para garantir que estes se centrem no doente;

f) Abordar os determinantes sociais, combatendo as causas profundas da TB, como a pobreza, a subnutrição e o acesso inadequado aos cuidados de saúde; e

e) Defender políticas fortes, reforçando a colaboração entre governos, ONG e organizações internacionais para apoiar os esforços de controlo da TB.

Chegou o momento de todos nos unirmos desde os mais altos níveis do governo ao sector privado, às famílias, às comunidades e mais além – e tomarmos medidas decisivas para acabar com o sofrimento e as mortes causadas por esta doença evitável e curável. Juntos podemos fazer com que a tuberculose passe à história. A altura de agir é agora!

*Oficial da OMS para a TB em Angola

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