
O antigo primeiro secretário provincial do MPLA em Luanda, general Higino Carneiro, expressou, esta sexta-feira, preocupação com a dificuldade do partido em consolidar a paz social em Angola, apesar dos quase 50 anos de governação.
Hoje, 4 de Abril, data em que se celebra o Dia da Paz e Reconciliação Nacional, Higino Carneiro defendeu ser “imperioso que, com o esforço conjunto das famílias, trabalhadores, empresas e instituições financeiras, possamos garantir que o essencial não falte à mesa de cada angolano”.
Para o político, este desafio exige uma reflexão profunda sobre as prioridades nacionais, sobretudo na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros.
“É fundamental assegurar uma distribuição mais justa e inclusiva da riqueza, promovendo um desenvolvimento sustentável para as empresas e para as futuras gerações”, sublinhou.
Auto-intitulado “Soldado da Pátria”, Carneiro, que se tem distanciado do actual Presidente da República, prestou homenagem ao ex-Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, a quem chamou de “patriota e eterno Arquiteto da Paz”.
Segundo ele, “teve a visão e a coragem de liderar as conversações entre as partes beligerantes num período crítico, sempre apelando à unidade e à reconciliação”.
Considerado por alguns sectores como um possível sucessor de João Lourenço à frente do partido e do país, Higino Carneiro publicou uma nota na sua página oficial do Facebook, na qual rendeu tributo ao povo angolano, reconhecendo a sua “sabedoria e resiliência” ao ultrapassar os traumas do passado e abraçar o perdão.
“Convido todos a refletir sobre a importância de conciliar a paz das armas com a paz social”, reiterou Higino Carneiro, apelando à construção de um futuro onde o bem-estar dos cidadãos prevaleça sobre os interesses partidários.
Face ao agravamento da crise socioeconómica, jovens e membros da sociedade civil anunciaram para esta sexta-feira (04.04) uma manifestação simbólica a partir das 20 horas.
A acção de protesto consiste na emissão de sons de panelas e tachos, como forma de expressar o descontentamento popular com a actual situação do país.