Uíge: MPLA acusado de mentir sobre vandalismo
Uíge: MPLA acusado de mentir sobre vandalismo
mpla cuango

A política subordina-se à ética, mas o Comité Provincial do MPLA no Uíge atropelou este princípio, ao escamotear a verdade sobre os factos ocorridos na comuna do Cuango Kalumbu, município de Quimbele, onde uma comitiva sua foi supostamente emboscada pela população, mas atribuiu essa acção à UNITA.

A verdade é que a comitiva do Comité Provincial do MPLA, coordenada pelo seu secretário provincial para o Departamento de Informação e Propaganda (DIP), Virgílio Cordeiro, que se dirigia àquela circunscrição, foi atacada pela população, em protesto ao facto de a sua comuna não ter sido elevada a município.

É isso que explicou ao Pungo a Ndongo o regedor Wedika Tsungu, da regedoria do Swá Ikomba, comuna do Cuango, em contacto telefónico, a partir do Uíge, fazendo referência a uma “nota de repúdio do MPLA”, que acusa o seu principal adversário político de ter emboscado a caravana.

Assegurou que a população surpreendeu a caravana que se dirigia ao Cuango, para apresentar o novo administrador, Américo Víctor Mbambo, nomeado em Janeiro do ano em curso pelo governador provincial, José Carvalho da Rocha, no quadro da Nova Divisão Política Administrativa (NDPA), contra a vontade da comunidade.

“Não é verdade que foi a UNITA que atacou a caravana, é a população”, indicou a autoridade tradicional, para quem as contestações vão continuar até que o Governo resolva o clamor da população, que passa pela ascensão da comuna do Cuango a município.

Informou que as autoridades da província do Uíge foram alertadas pelos regedores que a população da comuna do Cuango Kalumbu estava inconformada com a não ascensão da sua circunscrição a município, conforme o estudo feito pelo Ministério da Administração do Território, em 2022.

UNITA sem expressão

Contrariando o comunicado do Comité Provincial do MPLA no Uíge, Wedika Tsungu disse que a “UNITA não tem expressão no Cuango”, pelo que não colhe a acusação que lhe foi feita de ser protagonista da accão ocorrida naquela localidade.

Assume que, apesar do descontentamento da população sobre a Nova Divisão Político-Administrativa, o MPLA é que possui a maior parte dos militantes no Cuango, justificando que em todos os processos eleitorais sempre suplantou a UNITA.

“Nós, do MPLA, temos que ter a coragem de assumir que foi a população que atacou a caravana, em protesto daquilo que vem reclamando”, sublinhou, reiterando que a comunidade está descontente com a situação social e económica, que é degradante, desde o tempo colonial, numa altura em que o país vai celebrar 50 anos de Independência Nacional.

Para a fonte deste jornal, a expectativa da população era de que se aquela circunscrição fosse elevada à categoria de município, começar-se-ia um novo ciclo, para sair da letargia em que se encontra, se comparada com outras comunas.

As declarações da fonte cruzam com as de um membro da Associação dos Académicos do Cuango (AAC), que reforçaram que o MPLA “foi infeliz”, e desafiam-no que apresente, no mínimo, um militante da UNITA detido durante a vandalização das infra-estruturas.

A fonte, que é um professor universitário no Uíge, que evitou identificar-se por temer eventuais represálias, disse que o que aconteceu no Cuango é tão somente uma reivindicação dos cidadãos, no quadro de Estado Democrático de Direito.

“Foi vergonhoso ver imagens do senhor Virgílio Cordeiro a narrar factos falsos. O MPLA devia levar a imprensa pública e privada, nacional e estrangeira, para entrevistar a população sobre quem foram os autores da emboscada”, desabafou, reforçando que, “o MPLA não precisa jogar baixo, por intermédio de gente como o primeiro secretário para a informação, o camarada Cordeiro. O MPLA é um partido de massas, que ganha com mérito. Esse senhor devia ser punido, porque envergonhou o partido” .

O que disse o MPLA

A ‘Nota de Repúdio’ distribuída à imprensa, à qual este jornal teve acesso, refere que a direcção deste partido manifestou o seu repúdio aos recentes acontecimentos relacionados com os “actos de vandalismo em que uma comitiva do MPLA foi alvo de ataques por militantes do partido UNITA, na comuna do Cuango, município do Alto-Zaza, província do Uíge, durante uma visita de trabalho”.

Chefiada por Virgílio Cordeiro, membro do Comité Central do MPLA e secretário do Departamento de Informação e Propaganda do Comité Provincial do Partido, a comitiva partiu para a comuna do Cuango no dia 24/03/2025, (segunda-Feira), e levava consigo medicamentos e outros bens de primeira necessidade para serem distribuídos às populações daquela região.

Acrescenta que a mesma integrava também Afonso Manuel, primeiro secretário e administrador do Quimbele, e Fátima José, primeira secretária e administradora municipal de Alto-Zaza, que, “por volta das 17H00 do dia 27 de Março, ao entrar na sede comunal, “caiu nu ma emboscada feita pelos militantes da UNITA, sendo atacados com catanas, paus, pedras e caçadeiras”.

O documento destaca ainda que durante a vandalização, os supostos militantes do Galo Negro destruíram a sede comunal do MPLA, tendo queimado toda a documentação, bandeiras e os postes do presidente do partido, João Lourenço.

Na sequência, segundo ainda a mesma nota, agrediram e destruíram as residências dos professores do ensino primário e secundário que leccionam na vila, o que permitiu a fuga de todos para Quimbele.

UNITA defende-se

Em conferência de imprensa, realizada no Uíge, em resposta às acusações, o secretário provincial da UNITA, Félix Simão Lucas, retorquiu que a comitiva do MPLA chegou a comuna sem ser atacada e foi recebida pelo Príncipe Zulu da Costa Mbuya, filho do antigo Rei do Cuango, Luvunga Mbuya, com o qual conversou.

Informou que os dirigentes do MPLA recolheram fotografias e bandeiras e tiraram imagens mostrando que foram agredidos. “Na realidade, quer a publicação e a nota de repúdio do Comité Provincial estão cheios de inverdades”, denunciou.

O político afirmou que o Comité Provincial do Afonso Manuel, primeiro secretário e administrador do Quimbele, e Fátima José, primeira secretária e administradora municipal de Alto-Zaza, que, “por volta das 17H00 do dia 27 de Março, ao entrar na sede comunal, “caiu nu ma emboscada feita pelos militantes da UNITA, sendo atacados com catanas, paus, pedras e caçadeiras”.

O documento destaca ainda que durante a vandalização, os supostos militantes do Galo Negro destruíram a sede comunal do MPLA, tendo queimado toda a documentação, bandeiras e os postes do presidente do partido, João Lourenço.

Na sequência, segundo ainda a mesma nota, agrediram e destruíram as residências dos professores do ensino primário e secundário que leccionam na vila, o que permitiu a fuga de todos para Quimbele.

MPLA “caiu na manipulação do seu secretário para informação, porque o problema nada tem a ver com a UNITA”.

Explicitando que o conflito do povo do Cuango tem haver com questões históricas sobre reinados, e também da Nova Divisão Política Administrativa, o nosso contacto apontou que “o senhor governador e secretário provincial do MPLA sabe bem, porque reuniu com as autoridades tradicionais três dias antes da delegação partir para o Cuango, e na reunião as autoridades tradicionais não aceitaram o empossamento do administrador comunal, na qualidade de comuna de Alto Zaza”.

in Pungo a Ndongo

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