
As provas no Complexo Escolar Privado Pitágoras de Ondjiva, província do Cunene, serão realizadas durante a actual pausa pedagógica, após terem sido suspensas a 31 de Março devido a protestos dos alunos motivados pela saída do director cessante e pela falta de esclarecimentos sobre o aumento das propinas.
O director do Gabinete Provincial da Educação do Cunene, Domingos de Oliveira, assegurou à imprensa local que as provas serão remarcadas em conjunto com a instituição de ensino, visando encontrar uma data dentro dos 15 dias de pausa pedagógica.
Este período permitirá a elaboração das pautas pedagógicas do segundo trimestre, em conformidade com o calendário escolar.
As provas pendentes incluem disciplinas dos alunos do primeiro e segundo ciclos, como Biologia, Educação Visual e Plástica, e Introdução Económica.
No ensino técnico-profissional, estão por realizar exames nos cursos de Ciências da Saúde, abrangendo Fisiologia Humana, Assistência de Enfermagem, Anatomia, Parasitologia, Técnica de Produção de Medicamentos, Química Farmacêutica, Técnicas de Metodologia e Práticas de Oficinas.
Fontes próximas ao Complexo Escolar indicaram que os protestos que levaram à suspensão das provas em 31 de Março foram motivados pela falta de informação sobre os motivos da demissão do anterior director e pela exigência de maior transparência na cobrança de propinas, especialmente após o aumento dos seus valores.
Os alunos manifestaram-se contra o aumento das propinas, o que terá supostamente resultado na demissão do ex-director, Gabriel Jamba, na sequência de uma acção inspectiva.
Os organizadores do protesto impediram a entrada no recinto escolar, bloqueando os portões, o que levou à intervenção das forças policiais para dispersar os manifestantes.
Maria Vital, porta-voz da Associação de Estudantes do Pitágoras, afirmou que a mudança na direcção surpreendeu os alunos, que consideram que, como parte integrante do processo educativo, deveriam ter sido informados sobre os motivos da decisão.
A mesma explicou que tomaram conhecimento da saída do antigo director através das redes sociais e destacaram que Gabriel Jamba era visto como “um profissional de mérito e humano”.
O novo director nomeado, José Santos Chikunamuele, esclareceu que a mudança na gestão do Complexo Escolar se deveu a questões pessoais do diretor cessante, que “colocou o cargo à disposição há quatro dias”.
José Chikunamuele enfatizou que o antigo diretor não foi exonerado, mas decidiu afastar-se por motivos pessoais, e que, após conversa com a associação de estudantes, não foram identificados outros motivos para a manifestação além do descontentamento pela saída do diretor cessante e a falta de esclarecimento sobre o aumento das propinas.
Em funcionamento desde 2016 no Cunene, o Complexo Escolar Pitágoras conta com mais de quatro mil alunos matriculados desde o ensino primário até ao segundo ciclo e ensino técnico-profissional, oferecendo cursos como saúde, enfermagem, análises clínicas e laboratório, farmácia, eletricidade e instalação de redes.