
O rei do Bailundo, EKuikui VI – Tchongolola Tchongonga, informou, esta sexta-feira, que a sua Ombala realiza, anualmente, entre 340 e 360 julgamentos tradicionais, na sua maioria, relacionados com acusação de feitiçaria e dívidas contriadas por funcionários públicos aos empreendedores locais.
O soberano falava depois de abordar o tema “Os julgamentos tradicionais face às novas tecnologias de informação e comunicação”, durante as IV Jornadas Científicas do Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias do Huambo – Ekuikui II, encerradas hoje.
Disse que estes julgamentos foram realizados de acordo com as normas tradicionais e tiveram as devidas soluções conforme consagra o Direito Costumeiro.
Sobre o tema “Os julgamentos tradicionais face às novas tecnologias de informação e comunicação”, disse que serviu para explicar aos estudantes de que, actualmente, os reinos são dinâmicos e selectivos, sobretudo, na resolução dos problemas, que, muitas vezes, é necessário usar os telefones e a internet para ter a solução.
Aclarou que a sua abordagem serviu, igualmente, para elucidar os jovens de que uma autoridade tradicional não é um fabricador de feitiços, mas, sim, é alguém que está na comunidade para ajudar a resolver os problemas da população, como uma semente da paz e da tranquilidade.
Ao falar sobre o Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias do Huambo – Ekuikui II, que atribuiu o nome do seu tetravô à instituição, disse ser algo de “extrema” importância, pois está a valorizar um ícone do Reino do Bailundo, que era dotado de elevada sabedoria no tempo do reinado.
Por sua vez, o presidente da Associação dos Comunicólogos de Angola, André Sibo, ao abordar o tema “O papel das narrativas jornalísticas na transformação social e sustentabilidade”, encorajou aos jornalistas a produzirem reportagens, entrevistas e crónicas que reflectem a identidade e a cultura nacional, para se conhecer as verdadeiras raízes do país.
Disse que Angola possui histórias inéditas, rios, belezas naturais e espaços turísticos que, com narrativas bem construídas e dado o seu elevado interesse, podem mobilizar investidores e, por via disso, fomentar o turismo e trazer o desenvolvimento.
Defendeu o reforço da educação das pessoas na imprensa, sobretudo, na literacia dos meios de comunicação social, que visa juntar os cidadãos à mesma mesa para lerem os textos e abordar a sua importância para a sociedade.
As IV Jornadas Científicas do Ekuikui II foram abertas na última quarta-feira, sob o lema “Inovação convergente: tecnologia e humanidades rumo à sustentabilidade local”.
O Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias do Huambo – Ekuikui II, primeira instituição superior privada nesta região do país, Aberto em 2011, já graduou mais de quatro mil licenciados em diversas áreas do saber.
No presente ano académico (2024/2025) matriculou mil 600 estudantes nos cursos de Análises Clínicas, Ciências da Educação e da Comunicação, Contabilidade, Fiscalidade e Auditoria, Direito, Educação Física e Desporto, Enfermagem Geral, Engenharia Informática, Economia e Gestão, Engenharia Civil, Farmácia e Psicologia.
A par do Ekuikui II, no sector privado, a província do Huambo conta, igualmente, com os institutos superiores politécnicos Lusíada, Sol Nascente, Católico e da Caála, para além da Escola Superior Técnica de Saúde, enquanto no público possui a Universidade José Eduardo dos Santos, com as suas unidades orgânicas, e o Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED-Huambo).
in Angop