
O activista social Baptista Carlos, membro da organização “Hip Hop 3ª Divisão”, foi detido por agentes da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) da Polícia Nacional, após exigir a devolução de uma garrafa de gás de cozinha pertencente à sua mãe, apreendida de forma indevida durante uma operação policial no bairro Boa Esperança II, município de Cacuaco, em Luanda.
Segundo relatos recolhidos pelo Imparcial Press, a botija foi levada pelos agentes da DIIP na sequência de uma acção de busca e detenção por suspeita de roubo de dinheiro.
No entanto, a operação terá ocorrido numa residência errada, sem qualquer ligação com a acusação, e sem a apresentação de mandado judicial.
Informado pelos vizinhos, Baptista Carlos deslocou-se à esquadra do Kikolo (localizada junto a pedonal do colégio Sacrinor) para solicitar esclarecimentos e a devolução do bem.
Contudo, ao questionar os efectivos em serviço, foi imediatamente detido e colocado numa cela, onde permaneceu por 24 horas em condições que descreveu como “desumanas”.
“Permaneci numa cela com outros detidos, onde as pessoas fazem as necessidades em sacos e dormem sobre papéis. No dia seguinte, fui conduzido à superintendente-chefe, que me devolveu a botija de gás e emitiu ordem de soltura, mas sem qualquer explicação oficial sobre a minha detenção”, declarou Baptista Carlos.
O activista, agora em liberdade, afirma que irá avançar com uma queixa-crime contra os agentes envolvidos, alegando abuso de poder e violação dos seus direitos enquanto cidadão.
O caso levanta novamente preocupações sobre a actuação de alguns efectivos da Polícia Nacional em operações de busca e apreensão, sem cumprimento dos trâmites legais, e reacende o debate sobre os limites da autoridade.
Por: Geraldo José Letras