
O Fórum Nacional de Editores do Zimbábue (ZINEF) manifestou, quarta-feira, profunda preocupação com a detenção da editora do jornal Zimbabwe Independent, Faith Zaba, de 55 anos, detida na noite do dia 1 de Julho, pelas autoridades locais em Harare.
A jornalista foi encarcerada após a publicação de uma coluna satírica, gerando forte repúdio por parte de organizações da sociedade civil e defensores da liberdade de imprensa.
Em comunicado enviado à redacção do Imparcial Press, assinado pelo presidente do ZINEF, Dumisani Muleya, a organização classifica o acto como “repreensível, censurável e repressivo”, e parte de uma escalada de ataques sistemáticos contra jornalistas no país.
Segundo o ZINEF, o caso de Zaba se insere num padrão preocupante de perseguição a profissionais da comunicação. Exemplos anteriores incluem a detenção do jornalista Blessed Mhlanga, libertado recentemente após passar 73 dias preso, e a prisão em 2020 do jornalista Hopewell Chin’ono, mantido sob custódia por 44 dias.
A detenção de Faith Zaba por uma coluna de sátira é vista como uma ameaça direta à liberdade de expressão e de imprensa garantidas pela Constituição do Zimbábue.
“A sátira é uma forma legítima de comentário e crítica política. Criminalizá-la é ignorar princípios fundamentais das liberdades civis”, alerta Muleya no comunicado.
O ZINEF denunciou também o impacto negativo da detenção prolongada e injustificada de jornalistas, alegando que tais ações provocam um efeito de intimidação sobre a imprensa, dificultando o trabalho de fiscalização do poder público e prejudicando o debate democrático.
Além disso, a entidade criticou o fato de Zaba se encontrar debilitada de saúde e, mesmo assim, ter sido mantida sob custódia em pleno inverno rigoroso. “Detê-la nestas condições, e por motivos tão frágeis, é insensível, cruel e desnecessário”, afirmou Muleya.
O Fórum Nacional de Editores apela ao Governo do Presidente Emmerson Mnangagwa para que respeite o Estado de Direito e garanta a integridade física e profissional dos jornalistas, permitindo que exerçam livremente o seu papel de informar o público.
“A repressão à imprensa não beneficia ninguém — nem o governo, nem os cidadãos, nem o próprio Presidente. Apenas mancha ainda mais a imagem do país no cenário internacional”, conclui o comunicado.