
O Tribunal da Comarca do Lubango adiou esta segunda-feira, para o dia 1 de Setembro o início do julgamento da cidadã norte-americana Jakclyn Shroyer, de 44 anos, acusada de ser a mentora do assassinato do seu esposo, o missionário norte-americano Beau Shroyer, ocorrido em Outubro de 2024.
O adiamento ficou a dever-se à ausência, por motivos familiares, da juíza presidente da causa, Violeta Tyiteta Prata. O colectivo de juízes é ainda composto por Geraldo Ukuma e Erineu Máquina, enquanto o Ministério Público será representado pelo magistrado Dorivaldo Domingos.
Jakclyn Shroyer, formalmente acusada em Fevereiro pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responde pelo crime em co-autoria com três cidadãos angolanos, entre os quais o presumível amante e cúmplice do crime, Bernardino Isaac Elias (24 anos), e Isalino Musselenga Kayôo, conhecido por “Vin Diesel” (23 anos), apontado como executor do homicídio.
Um quarto envolvido, Jelson Ramos (23 anos), detido em Maio, é tido como possível autor material do crime. Embora conste no processo com o estatuto de declarante, Ramos responde por outros processos-crime, segundo o número de referência 044/25-B.
Execução orquestrada por 50 mil dólares
De acordo com as investigações, a viúva teria encomendado a morte do marido em troca de 50 mil dólares norte-americanos, dos quais 400 dólares foram inicialmente pagos para os preparativos do crime. O restante valor, cerca de 9 mil dólares, seria entregue após a execução.
Segundo fontes policiais, Jakclyn terá visitado o local do crime três dias antes com o segurança Bernardino Elias, com quem mantinha uma relação extraconjugal, para planear o assassinato numa zona isolada da província da Huíla.
Na data do crime, os acusados alugaram uma viatura de marca Beijing, de cor azul, por 52 mil kwanzas. A execução ocorreu sob o pretexto de uma paragem simulada.
A esposa, segundo as autoridades, afastou-se do local com o argumento de que precisava urinar, enquanto os cúmplices desferiram os golpes fatais na vítima.
A Polícia apreendeu a viatura utilizada, a arma do crime – uma faca de origem norte-americana supostamente oferecida pela própria vítima a Elias – e ainda quatro milhões e quinhentos mil kwanzas.
O corpo de Beau Shroyer foi localizado no dia 25 de Outubro de 2024, na zona de Thienjo, município da Palanca, província da Huíla, junto a pertences pessoais como binóculos e chapéu. A viúva, na ocasião, apresentava-se como “consternada”.
Antecedentes dos co-réus
O advogado da principal arguida, Edivaldo Salvador, afirmou à imprensa que os arguidos esperavam pelo início do julgamento, mas reconheceu que o adiamento, embora inesperado, “tem fundamento legal e humano”.
Já o mandatário de Jelson Ramos, Domingos Hamuyela, saudou a decisão do tribunal em realizar o julgamento com um colectivo de três juízes, dada a gravidade do crime. Contudo, criticou o uso obrigatório de traje prisional pelo seu constituinte, que aparece apenas como declarante.
De acordo com fontes policiais, todos os co-réus, com excepção da viúva, têm antecedentes criminais ligados a crimes de roubo à mão armada e rapto.
O casal tinha cinco filhos.