Escassez de gás doméstico preocupa consumidores em Luanda e no interior
Escassez de gás doméstico preocupa consumidores em Luanda e no interior
fila de gas

A escassez de gás de cozinha em Luanda e noutras regiões do país tem gerado crescente preocupação, afectando de forma significativa a rotina das famílias, sobretudo as mais vulneráveis, que dependem deste recurso para a preparação das suas refeições diárias.

Nos últimos dias, têm-se multiplicado as longas filas nos pontos de revenda, com cidadãos carregando botijas pelas ruas, e registam-se aumentos no preço de revenda. Na capital e na periferia, este cenário tornou-se recorrente, criando tensão e incerteza.

Alguns consumidores ouvidos pela nossa reportagem associam a situação ao movimento de compras de bens essenciais verificado nos últimos dias, motivado por rumores de uma paralisação prevista para a próxima semana, no dia 11.

Outros apontam causas estruturais, como a dependência da importação, a insuficiência de infraestruturas de armazenamento e distribuição, e falhas na gestão da cadeia de abastecimento.

O contexto económico adverso que Angola atravessa agrava ainda mais o problema, limitando o poder de compra das famílias. Para muitas, a falta de gás significa recorrer a alternativas mais dispendiosas e prejudiciais, como o carvão e a lenha, que implicam riscos para a saúde e o meio ambiente.

Marlene Jaime, residente no Zango 4, município de Calumbo, contou que há três dias procura gás sem sucesso. Sem transporte próprio, gastou cerca de cinco mil kwanzas em deslocações por vários mercados e lojas, sem encontrar o produto.

“Estou muito preocupada. Não sei como cozinhar para a minha família sem gás”, lamentou.

Já Vitorino Manuel, oficial da Polícia Nacional, relatou que, diante da falta de gás no seu bairro, no Nandó, deslocou-se até ao Luanda Sul, onde, com a ajuda de um colega, conseguiu adquirir duas botijas.

Entre os consumidores, cresce o apelo à implementação de medidas urgentes para reforçar a disponibilidade nos postos de revenda.

Contudo, o presidente da Comissão Executiva da Sonagás, Manuel Barroso, garantiu que não existem problemas na produção de gás de cozinha e reiterou o compromisso da Sonangol com a segurança, a qualidade e o abastecimento contínuo deste produto em todo o território nacional.

O responsável apelou ainda à população para denunciar práticas de especulação ou alteração indevida de preços, tanto nos pontos de venda autorizados como no comércio informal.

in Pundo a Ndongo

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