Documento policial vazado liga dirigente da UNITA a alegada organização de protestos
Documento policial vazado liga dirigente da UNITA a alegada organização de protestos
MR luanda

Um relatório interno da Polícia Nacional datado de 8 de Agosto, vazou nas redes sociais e está no centro de uma nova polémica política.

O documento associa directamente o secretário municipal da UNITA no Kilamba, Damião Adolfo José, à alegada coordenação de uma manifestação convocada pelo Movimento Revolucionário da Região Sul de Luanda e à preparação de actos de vandalismo e desestabilização da ordem pública.

Segundo o chamado “Ponto de Situação” do Comando Municipal do Kilamba, o dirigente da UNITA teria liderado uma reunião no comité local do partido, onde apresentou um plano denominado “Contraditório”.

De acordo com a narrativa policial, esse plano incluiria acções de mobilização para desincentivar a população a sair às ruas, alertando para uma alegada repressão militar, e a execução de actos de sabotagem contra bens públicos e privados, incluindo a EPAL, ENDE, hospitais e estabelecimentos comerciais.

O relatório vai mais longe, sugerindo que entre os objetivos estaria até uma tentativa de assalto ao Palácio Presidencial, à rádio e à televisão, bem como a inviabilização da Afrobasket 2025, que se realiza em Angola, por via de limitação de público.

As afirmações foram de imediato rebatidas por Damião Adolfo José, que, em nota de repúdio, em posse do Imparcial Press, repudiou “de forma veemente” o conteúdo do relatório, classificando-o como “falso e infundado” e acusando as autoridades de tentarem “manchar o bom nome” da UNITA.

“A UNITA não tem nada a ver com a greve dos taxistas e muito menos com as manifestações organizadas pela sociedade civil. Cresçam e procurem outros argumentos. O país não se faz com o terrorismo do Estado”, declarou o dirigente.

O político defendeu que a referência ao seu nome no documento policial é mais um exemplo de perseguição política e tentativa de criminalização da oposição.

Movimento Revolucionário denuncia vigilância e intimidação

O Movimento Revolucionário da Região Sul de Luanda, um dos organizadores dos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, tarifas de transporte e propinas escolares, anuncia recentemente que está a ser alvo de vigilância intensa.

Nas redes sociais, o grupo afirmou que está “no centro das atenções do MPLA e dos serviços secretos”, mas garantiu que continuará “firme na luta”.

As reivindicações incluem ainda a libertação de activistas detidos e responsabilização criminal de agentes de segurança implicados em mortes durante a recente greve dos taxistas.

Analistas políticos e juristas contactados por este jornal alertam que que a inclusão de reivindicações sociais legítimas em relatórios de segurança com acusações de “tentativa de golpe” ou “vandalismo” pode configurar uma estratégia de intimidação e um risco para as liberdades de reunião e expressão.

Até ao momento, nem a Polícia Nacional nem o Ministério do Interior se pronunciaram sobre o vazamento ou sobre as acusações constantes no documento.

O episódio agrava o clima de tensão política em Angola, num contexto de crescente descontentamento social e de queixas da oposição sobre a utilização dos órgãos de segurança para fins políticos.

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