Conselho da República apela ao civismo em plena crise social
Conselho da República apela ao civismo em plena crise social
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Realizou-se hoje, 11 de Agosto, uma reunião extraordinária do Conselho da República no Palácio Presidencial, convocada e presidida por João Lourenço, para analisar a situação de segurança pública após os incidentes (de vandalismo, pilhagem e destruição de bens públicos e privados) registados no final de Julho, em várias províncias do país, na sequência de uma paralisação convocada por taxistas, em protesto face à subida do preço dos combustíveis e consequentemente das tarifas dos transportes públicos.

O comunicado final, no entanto, ficou marcado por um tom genérico e repetitivo, que pouco acrescenta ao debate sobre as causas profundas do mal-estar social.

O documento insiste na necessidade de “postura cívica e ordeira”, no respeito às autoridades e no combate à “desinformação” nas redes sociais, mas evita abordar directamente as razões que levaram milhares de cidadãos a participar em actos de vandalismo, pilhagem e confrontos com as forças de segurança.

A resposta oficial resume-se a um apelo ao civismo, sem apresentar propostas concretas de melhoria das condições de vida, combate ao desemprego ou mitigação da fome, problemas apontados por muitos como o verdadeiro combustível da agitação social.

As reacções não tardaram. Lucas Napoleão Mendonça criticou o “comunicado muito vazio”, acusando as autoridades de estarem “mais preocupadas com as redes sociais” do que com as suas próprias plataformas de comunicação estatal, que, segundo ele, servem de instrumento ao regime.

Já Albano Leandra Fonseca foi mais longe, lembrando que “uma pessoa que não tem fome e tem o seu trabalho dificilmente vai sair de casa para vandalizar”.

Para este cidadão, o governo perdeu uma oportunidade crucial para fazer uma “análise muito profunda” sobre um fenómeno de violência urbana sem precedentes no país.

Apesar da declaração oficial de que a situação da segurança pública está “estável”, a própria convocação de uma reunião extraordinária e o tom do comunicado revelam uma preocupação latente no mais alto nível do Estado.

Preocupação essa que, segundo críticos, poderia ser mais útil se estivesse direccionada para resolver os problemas estruturais que geram o descontentamento, em vez de tentar apenas controlar as suas manifestações.

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