Autoridades detêm líderes de associações de taxistas após greve que provocou caos em Angola
Autoridades detêm líderes de associações de taxistas após greve que provocou caos em Angola
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O Serviço de Investigação Criminal (SIC) detiveram, nos últimos dias, vários líderes de associações de taxistas que convocaram a greve de 28, 29 e 30 de Julho, em protesto contra o aumento dos preços do gasóleo e, consequentemente, das tarifas dos transportes públicos.

A paralisação resultou em atos de vandalismo, pilhagem e destruição de bens públicos e privados em várias províncias, com um saldo de mais de 40 mortos.

A operação teve início com a detenção de Rodrigo Luciano Catimba, vice-presidente da ANATA, em Benguela, seguida da prisão do seu presidente, Francisco Paciente, em Luanda.

No dia 11 de Agosto, o SIC executou novos mandados emitidos pelo Ministério Público e deteve Francisco Eduardo, líder da Associação de Taxistas de Angola (ATA), Rafael Ginga Inácio, presidente da Cooperativa de Táxis Comunitários de Angola (CTCA), e António Alexandre Freitas, presidente da Cooperativa dos Taxistas e Motociclistas Freitas (CTMF).

Os detidos são acusados de associação criminosa, incitação à violência, atentado contra a segurança nos transportes e terrorismo, crimes que, segundo as autoridades, estão relacionados com os atos de vandalismo registados durante a paralisação.

Com esta vaga de detenções, permanecem em liberdade os líderes da Associação dos Taxistas e Lotadores de Angola (ATLA), da Associação dos Brigadistas de Táxis de Angola (AB-Táxis Angola), da Cooperativa de Transportes Carlos Sinangui (CTCS) e da 2PN. Não se sabe, para já, se o SIC poderá vir a detê-los nos próximos dias.

A greve dos taxistas, como noticiou o Imparcial Press, foi inicialmente convocada por um conjunto de associações — ANATA, ATA, CTMF, ATLA, CTCS, 2PN e AB-TÁXI — com o objetivo de pressionar o Governo a rever a política de preços dos combustíveis e abrir canais de negociação.

Poucas horas antes do início, algumas organizações recuaram, mas o anúncio inicial já tinha provocado mobilização e impacto no transporte urbano, sobretudo em Luanda.

No primeiro dia da paralisação, registaram-se distúrbios e episódios de violência, que agora servem de base à atuação das forças de investigação.

O jurista angolano Pedro Ferreira Guilherme considera que as detenções configuram um processo de intimidação política. “Isto soa mesmo a uma purga em grande escala. Ninguém está seguro. O regime está numa curva apertada e usa o cano da arma para se manter. O povo vive numa cadeia a céu aberto”, lamentou.

A crítica centra-se no uso de acusações de elevada gravidade, como “terrorismo”, em casos de protesto social, o que poderá ter efeitos dissuasores sobre a mobilização de outros setores da sociedade civil.

Ainda ontem, o Chefe de Estado, João Lourenço, presidiu uma reunião extraordinária do Conselho da República com o intuito de “analisar a situação de segurança pública no país, com destaque para os eventos ocorridos nos dias 28, 29 e 30 de Julho, nas províncias de Luanda, Malanje, Huíla, Benguela, Cuando Cubango, Bengo, Icolo e Bengo e Lunda-Norte, marcados por atos de vandalismo, arruaça, insurgência contra as forças da ordem e segurança, bem como pilhagem de estabelecimentos públicos e privados”.

Outrossim, o porta-voz do Comando Geral da Polícia Nacional, subcomissário Mateus Rodrigues, informou que a situação de segurança pública no país “mantém-se estável, com o normal funcionamento das instituições e a livre circulação de pessoas e bens”.

Segundo o porta-voz, em Luanda “a situação é igualmente calma, circula-se com bastante normalidade e a presença dos táxis e transportes públicos é visível”.

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