Carolina Cerqueira: lealdade cegue e bajulação que ameaça o parlamento – Henda Ya Xiyetu
Carolina Cerqueira: lealdade cegue e bajulação que ameaça o parlamento – Henda Ya Xiyetu
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Desde que assumiu a liderança da Assembleia Nacional em setembro de 2022, Carolina Cerqueira tem mostrado um apoio ao MPLA e, principalmente, ao Presidente João Lourenço, que vai muito além do que seria razoável.

Se dependesse só dela, o órgão máximo de poder eleito diretamente pelo povo para representar diferentes opiniões e um certo equilíbrio já teria virado um simples grupo de apoio do partido no poder.

Carolina Cerqueira não consegue esconder o desconforto, ou até o receio, sempre que algum deputado da oposição fala do Presidente João Lourenço, seja como Chefe de Estado, seja como líder do governo.

A mais pequena referência causa reações imediatas: avisos, interrupções e tentativas de impedir o deputado de falar. A presidente parece se esquecer de que está no comando de um órgão de poder, e não de um clube de admiradores do Presidente.

Essa atitude ficou ainda mais nítida em um caso recente com o deputado Francisco Viana. Durante uma reunião, Viana comentou que o Presidente tinha levado pessoas para Portugal para apoiá-lo no parlamento português, mostrando sua influência internacional.

Ao ouvir isso, Carolina Cerqueira reagiu como se algo muito grave tivesse acontecido: ficou claramente irritada e sem graça, tentando calar o deputado. Mas Francisco Viana não se intimidou e continuou seu discurso até o fim, desafiando a tentativa de censura e mostrando que ninguém pode ser silenciado à força no Parlamento.

Com certeza, João Lourenço não tem, em nenhum grupo do MPLA, alguém que o defenda mais do que Carolina Cerqueira. Mas essa lealdade exagerada e defesa radical prejudicam a confiança na Assembleia Nacional.

A liderança do Parlamento não é um cargo para fazer propaganda do partido; é um órgão de poder que exige equilíbrio, independência e imparcialidade em relação ao governo. A forma como Cerqueira age revela uma adulação constante e excessiva, que ameaça transformar o Parlamento em um lugar de intimidação e submissão política.

Mesmo com toda essa lealdade, não faria mal à presidente da Assembleia Nacional mostrar um pouco de distanciamento institucional. A insistência em tentar controlar quem pode ou não falar do Presidente passa dos limites da educação e da normalidade.

A adulação e o zelo exagerado não só causam constrangimento, mas ameaçam a própria essência democrática do Parlamento.

O caso de Francisco Viana é a prova: Carolina Cerqueira não sabe lidar com críticas ou liberdade de expressão. A Assembleia Nacional deveria ser um espaço de debate plural e independente, mas sob sua liderança, corre o risco de virar um palco de intimidação, medo e lealdade cega.

A dose de lealdade já passou do ponto há muito tempo, e a adulação institucional está mais evidente do que nunca.

*Opinion Maker

As opiniões expressas são pessoais e visam provocar reflexão crítica e construtiva sobre temas que impactam nossa sociedade.

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