
O Partido Humanista de Angola (PHA) enfrenta a mais grave crise da sua curta história, com a liderança em disputa e acusações que abalam a sua estabilidade interna.
No sábado, 16 de Agosto, a Comissão Política Nacional anunciou a destituição imediata de Florbela Catarina “Bela” Malaquias, do cargo de presidente, alegando graves violações estatutárias e atos de gestão danosa.
De acordo com o relatório disciplinar analisado pelo órgão, a dirigente é acusada de transferir mais de 96 milhões de kwanzas de fundos partidários para contas particulares, utilizar 4 milhões de kwanzas em benefício próprio, pagar quotas pessoais com recursos do partido, alienar um veículo Toyota Hilux a favor do filho, além de não apresentar as contas de gestão de 2023 e 2024.
Para a Comissão Política Nacional, tais práticas configuram infrações disciplinares graves, previstas nos estatutos, justificando a aplicação da pena máxima: a destituição.
O comunicado, assinado por Ivo Gonçalves Ginguma, presidente em exercício, sublinha ainda que o caso “já não é apenas intrapartidário, mas entre a cidadã Florbela Malaquias e a Lei”, anunciando o envio do processo à Assembleia Nacional, Tribunal de Contas e Ministério Público.
Horas depois, a própria Florbela Malaquias reagiu em comunicado, classificando a decisão como “falsa, ilegal e destituída de qualquer efeito jurídico ou político”.
Segundo a líder humanista, apenas a Convenção Nacional, órgão supremo do partido, tem competência para deliberar sobre a sua substituição. Nesse sentido, considera qualquer decisão tomada fora desse fórum uma “usurpação de funções e atentado à legalidade democrática interna”.
Florbela assegura que mantém-se no pleno exercício das suas funções, com legitimidade conferida pela Assembleia Constituinte e reconhecida pelas instituições do Estado.
Reforçou ainda que a direção legítima está a preparar a realização da I Convenção Nacional do PHA, marcada para 30 de agosto de 2025, cujos trabalhos são coordenados por uma Comissão Provisória Preparatória.
Enquanto a ala dissidente acusa Florbela de “violar a ética, a legalidade e os princípios humanistas”, a dirigente rejeita as acusações, pede serenidade aos militantes e denuncia o que chama de “manobra divisionista”.
Com duas narrativas em choque — de um lado, a Comissão Política Nacional a proclamar a sua destituição; do outro, Florbela Malaquias a reafirmar-se presidente — o PHA mergulha numa disputa de legitimidade que poderá ter consequências profundas no futuro político do partido.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita