Em defesa dos atletas angolanos de tiro aos pratos
Em defesa dos atletas angolanos de tiro aos pratos
FAT2

Ao Ministério da Juventude e Desportos de Angola
À Federação Angolana de Tiro
À Federação Internacional de Tiro
À Federação Africana de Tiro
À FIFA – Federação Internacional de Futebol
Ao Comité Olímpico Internacional (COI)
À opinião pública nacional e internacional

Nós, atletas e cidadãos angolanos indignados, vimos por este meio denunciar publicamente a vergonhosa situação de abandono, mentira e falta de respeito para com os atletas da modalidade de Tiro aos Pratos em Angola.

Em 2017, no Campeonato Africano de Tiro no Egito, Angola conquistou uma medalha de bronze por equipas. Um feito histórico, que deveria ter sido motivo de orgulho e reconhecimento. Mas a realidade foi vergonhosa:

Os atletas tiveram de pagar do próprio bolso todas as despesas (passagens, estadia, alimentação e inscrições), porque a Federação Angolana de Tiro não deu qualquer apoio.

Desde 2017 até hoje, passaram-se oito anos sem pagamento, sem reconhecimento e sem pronunciamento oficial.

A única resposta da Federação é: “aguardem”. Mas aguardar até quando? Até que se apague da memória o esforço, o sacrifício e a dedicação de quem ergueu a bandeira nacional?

E no ano em que Angola celebra 50 anos de independência, será que é justo que esses atletas continuem esquecidos, abandonados e sem sequer um prémio de consolação? Será que a independência e o desporto se celebram assim — esquecendo quem deu glória à bandeira?

O mais grave é o silêncio cúmplice. Se fosse para aparecer em fotografias e discursos, todos se lembrariam. Mas para assumir responsabilidades e honrar quem lutou pela pátria, ninguém aparece. A medalha foi conquistada com suor e sacrifício dos atletas, mas até hoje não existe um gesto de valorização da Federação. Isso tem outro nome: abandono e ingratidão.

E não para por aqui. O Clube 1º de Agosto mantém uma dívida com atletas desde novembro de 2021. Três anos de promessas e mentiras.

O Ministério da Juventude e Desportos chegou a declarar publicamente que “todas as dívidas com atletas foram saldadas até 2024”.

Isso é uma mentira descarada. Se houve pagamentos, foram seletivos, porque muitos atletas continuam até hoje sem receber absolutamente nada.

Face a este cenário, os atletas já não confiam nas instituições nacionais e, por isso, pretendem escrever oficialmente à FIFA, à Federação Internacional de Tiro e ao Comité Olímpico Internacional (COI) para denunciar o Clube 1º de Agosto, a Federação Angolana de Tiro e a total falta de apoio às seleções nacionais.

E há ainda uma ironia maior: a Federação Angolana de Tiro prepara-se para organizar uma competição internacional em Angola, quando nem sequer é capaz de pagar ou valorizar os atletas que já conquistaram medalhas pelo país.

Como se pode receber o mundo desportivo em Angola enquanto se enterra e se esquece a verdade dos próprios atletas nacionais? Isso é a mais pura hipocrisia!

Também não podemos calar diante da omissão das entidades internacionais. Onde está a Federação Internacional de Tiro? Onde está a Federação Africana de Tiro? Onde está a FIFA? Onde está o Comité Olímpico Internacional?

O silêncio destas organizações faz delas coniventes com a morte do desporto de tiro em Angola. A omissão também é culpa!

Por isso, exigimos:

Que a Federação Angolana de Tiro dê um pronunciamento público e explique a razão de 8 anos de silêncio e desprezo.

Que o Clube 1º de Agosto honre as suas responsabilidades e pague imediatamente os atletas que arrastam dívidas desde 2021.

Que o Ministério da Juventude e Desportos deixe de manipular a verdade e garanta que nenhum atleta fique de fora nos pagamentos anunciados.

Que as federações internacionais e o Comité Olímpico Internacional deixem de assistir calados e pressionem Angola a respeitar os seus atletas.

Basta de desprezo!
Basta de mentira!
Basta de exploração!

Os atletas do tiro aos pratos não lutaram apenas por si, lutaram por Angola. Eles vestiram a camisola nacional, ergueram a bandeira no estrangeiro e foram esquecidos pelo próprio país. Isso é inaceitável, é vergonhoso e é uma mancha na história do desporto nacional.

Chega!
Angola não pode continuar a ser um país que apenas exibe as vitórias em discursos, mas vira as costas a quem realmente as conquista. Os atletas do tiro merecem respeito, merecem justiça e merecem receber o que lhes é devido.

Pela verdade.
Pelo desporto limpo.
Pelo respeito aos atletas.

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