
Para a Senhora Ministra da Educação, Luísa Grilo
Excelentíssima Senhora Ministra,
Na qualidade de servidora pública, espera-se de Vossa Excelência uma comunicação assertiva, clara e respeitosa — tanto com os órgãos de comunicação social quanto com os cidadãos comuns. Os assuntos relacionados ao Ministério da Educação são de interesse coletivo, e não podem ser tratados como questões pessoais.
Quando um jornalista, no exercício da sua função, apresenta uma situação pontual e preocupante, a resposta não deve ser dada em tom de arrogância, pois isso constitui uma verdadeira falta de respeito para com o povo angolano.
O jornalista, ao questionar, não fala apenas em nome próprio, mas em nome de uma preocupação da sociedade em geral.
Recordo ainda que, em uma das suas declarações públicas, Vossa Excelência afirmou que “os angolanos que estão fora de Angola não fazem falta”. Tal afirmação foi profundamente infeliz, feriu muitos compatriotas e contradiz o discurso do próprio Presidente da República, que, em várias ocasiões, tem apelado ao apoio e participação dos angolanos na diáspora no desenvolvimento nacional.
Essa divergência demonstra desorganização administrativa no seio do Executivo, além de falta de coerência na comunicação governamental. Cada membro do Governo parece transmitir mensagens individuais, sem alinhamento com a posição oficial do Estado.
Com todo o respeito, Excelentíssima Senhora Ministra, pelas razões expostas, entendo que Vossa Excelência não reúne condições de permanecer no cargo de forma responsável e construtiva. Seria digno e coerente colocar o cargo à disposição.
Atenciosamente,
Paterson Antonio Simão
Sociólogo