
Em 2017, João Lourenço entrou na cena política nacional com ares de renovação. O então candidato do MPLA à Presidência da República fez-se acompanhar não apenas de promessas sonantes – como a célebre criação de 500 mil empregos – mas também de uma imagem cuidadosamente trabalhada de simplicidade.
Um dos momentos mais comentados da campanha foi a fotografia em que surgia ao lado do seu caniche, sorriso aberto e carismático, numa pose tão rara quanto espontânea.
Oito anos depois, o caniche sumiu e, com ele, parece ter desaparecido também o sorriso presidencial. Nas redes sociais, muitos internautas levantam a questão: afinal, qual foi o destino do cão de João Lourenço?
Há quem brinque dizendo que o animal foi apenas um “activo de campanha”, usado para transmitir proximidade e afetividade numa altura em que a mudança era palavra de ordem.
Outros ironizam que, tal como a promessa dos empregos, o caniche teria também ficado “por cumprir”.
Especialistas em comunicação política lembram que a humanização da figura de João Lourenço, através da exposição do cão, foi um trunfo mediático bem-sucedido.
Porém, após conquistar o poder, o Presidente parece ter dispensado não só o marketing afetuoso, mas também os sorrisos largos que lhe renderam simpatias iniciais.
A dúvida permanece: terá o caniche sido promovido a “primeiro animal de estimação” com direito a privilégios no Palácio Presidencial? Terá morrido de causas naturais, longe dos holofotes? Ou, pior, terá sido vítima do mesmo abandono que muitos eleitores sentem em relação às promessas eleitorais?
Enquanto a resposta oficial não chega, os internautas não perdoam. Para muitos, o “desaparecimento” do cão é apenas mais um símbolo da distância entre a imagem de campanha e a realidade da governação.
Afinal, em Angola, até os caniches parecem ser usados como instrumentos de política.