Jacklyn Shroyer mandou matar o marido, missionário norte-americano, para ficar com seguro de vida de 500 mil dólares
Jacklyn Shroyer mandou matar o marido, missionário norte-americano, para ficar com seguro de vida de 500 mil dólares
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O caso do missionário norte-americano Beau Dean Shroyer, da Igreja Lakes Area Vineyard Church (LAVC), assassinado em Outubro de 2024, no Lubango, província da Huíla, e acompanhado de perto pelo Imparcial Press, expõe um dos crimes mais frios e calculados dos últimos anos em Angola.

As investigações indicam que a sua esposa, Jacklyn Shroyer, principal suspeita, terá mandado matar o marido para ficar com o seguro de vida avaliado em 500 mil dólares, contratado nos Estados Unidos da América meses antes do homicídio.

O Ministério Público (MP) pediu na quarta-feira, no Tribunal de Comarca do Lubango, a condenação “severa” dos quatro arguidos envolvidos no crime.

A investigação apurou que Jacklyn, de nacionalidade norte-americana, manteve uma relação extraconjugal com Bernardino Elias, antigo segurança do casal, com quem terá planeado o assassinato do marido. Em troca, prometeu pagar 9.500 dólares aos executores.

De acordo com a magistrada Claudete Pedro, do Ministério Público, “os factos são bárbaros e chocaram a sociedade angolana e internacional.

A vítima estava em Angola a desenvolver trabalho missionário e humanitário, e o curso da sua vida foi interrompido por um acto premeditado e cruel”.

Além de Jacklyn Shroyer e Bernardino Elias, também são acusados Isalino Kayôo, conhecido por “Vin Diesel”, e Gelson Ramos, apontados como cúmplices materiais do crime. Todos respondem pelos crimes de homicídio qualificado, associação criminosa e uso de armas regulamentadas, além de branqueamento de capitais.

Segundo o MP, Elias e Jacklyn iniciaram o relacionamento em Abril de 2024, quando ele ainda trabalhava como segurança na residência do casal, na província da Huíla. A partir daí, começaram a planear a morte de Beau Shroyer.

Jacklyn teria fornecido a faca utilizada no crime, enquanto Elias contactou Isalino e Gelson, antigos reclusos, para executar o plano.

“A co-arguida Jacklyn e o co-arguido Elias decidiram tirar o infeliz do caminho. Ela entregou a arma do crime e, após o assassinato, pagou o valor acordado”, afirmou Claudete Pedro durante as alegações finais.

O pagamento foi feito num envelope entregue por Jacklyn a Elias no mesmo dia do crime, ocorrido a 25 de Outubro de 2024, no município da Palanca, província da Huíla.

O dinheiro foi depois trocado por kwanzas, totalizando nove milhões e 900 mil kwanzas, quantia que circulou entre várias contas bancárias dos arguidos.

Segundo o MP, se o crime não tivesse sido descoberto, Jacklyn Shroyer seria a beneficiária única do seguro de vida do marido, no valor de meio milhão de dólares, montante que teria recebido nos Estados Unidos após o falecimento.

A procuradora destacou ainda que o suposto “quinto elemento”, identificado apenas como “Marcos”, é uma invenção dos réus para confundir o tribunal. “As provas e os depoimentos demonstram que apenas três indivíduos participaram directamente na execução”, afirmou.

Prorrogação da prisão preventiva

O Tribunal de Comarca do Lubango marcou para o dia 5 de Novembro a leitura da sentença, após a apresentação das respostas aos mais de 200 quesitos formulados pelo colectivo de juízes.

A juíza da causa, Violeta Tyiteta Prata, decidiu prorrogar por mais dois meses a prisão preventiva de Isalino Kayôo, justificando a medida com a “gravidade do crime, a complexidade do processo e a moldura penal aplicável”.

Na sessão de quarta-feira, o advogado de defesa de Jacklyn Shroyer, António Calembela, contestou as acusações, afirmando que “não existem provas materiais que comprovem a participação da sua constituinte no crime”, e apelou ao princípio da presunção de inocência.

Por sua vez, o advogado Vivaldo Chau, mandatário de Isalino Kayôo e Bernardino Elias, reconheceu a participação dos seus clientes, mas pediu ao tribunal que tenha em conta as atenuantes, como o facto de Elias ser réu primário e ter colaborado com as autoridades.

O julgamento, que deveria iniciar-se a 4 de Agosto, começou apenas a 1 de Setembro, tendo decorrido já quatro sessões até ao momento.

O colectivo de três juízes deverá agora decidir o futuro dos quatro acusados, num processo que expôs ganância, traição e manipulação emocional, culminando com a morte de um missionário que dedicava a sua vida a causas sociais em Angola.

Se for condenada, Jacklyn Shroyer, que residia na província da Huíla com o marido, Beau Dean Shroyer, de 45 anos, e os cinco filhos do casal desde 2021, poderá enfrentar uma pena de prisão maior de até 24 anos e perder o direito ao seguro de vida que, segundo o Ministério Público (MP), teria sido o móvel central do crime.

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