Caso Sónia: Empresário João Talaya condenado a 20 anos de prisão pela morte da esposa
Caso Sónia: Empresário João Talaya condenado a 20 anos de prisão pela morte da esposa
sonia huambo

O Tribunal da Comarca do Huambo condenou, nesta segunda-feira (27), o empresário João Mulunda “Talaya” a 20 anos de prisão maior pela morte da sua esposa, Sónia Eduardo Mulunda, num caso de homicídio qualificado no contexto de violência doméstica agravada.

Durante a leitura do acórdão, o colectivo de juízes considerou provados todos os factos constantes da acusação, acolhendo integralmente a tese do Ministério Público, que descreveu o crime como tendo sido cometido com dolo intenso e elevado grau de crueldade.

O tribunal fundamentou a pena na gravidade dos factos, na frieza da conduta do arguido e na necessidade de uma sanção exemplar que sirva de prevenção geral e especial.

A sessão, marcada por momentos de forte comoção, contou com a presença de familiares da vítima, representantes de organizações da sociedade civil e órgãos de comunicação social.

Entretanto, a defesa de João Talaya anunciou a interposição de recurso junto do Tribunal Supremo, alegando nulidades processuais e pedindo a revisão da medida da pena.

De acordo com o processo n.º 596/2025, o crime ocorreu a 1 de Março deste ano, na cidade do Huambo.

Sónia, empresária de 40 anos e mãe de dois filhos menores, terá saído de casa após receber uma mensagem suspeita enviada do telemóvel do marido, indicando um suposto encontro no Restaurante George Alberto, local que também funciona como residencial.

Ao chegar ao local, acompanhada por um familiar, a vítima encontrou João Talaya no interior do veículo com outra mulher. Diante da recusa do marido em abrir a porta, Sónia colocou-se em frente ao carro, tentando impedi-lo de sair.

Em seguida, o empresário acelerou bruscamente, atropelando a esposa, que ficou gravemente ferida e morreu no local.

Após o crime, Talaya fugiu da cena, mas entregou-se às autoridades horas depois, sendo colocado em prisão preventiva, agora convertida em pena efetiva.

Co-arguidos absolvidos

O tribunal absolveu o promotor de eventos Aílton Cardoso, acusado de favorecimento pessoal, por falta de provas de que tenha ajudado o principal arguido a fugir ou a ocultar provas.

Também foram ilibados José Xavier Capiñgala e Vitorino Armando Chilunda, este último funcionário da morgue do Hospital Geral do Huambo, igualmente acusados de atentado contra a integridade de restos mortais.

O juiz considerou que as provas apresentadas pelo Ministério Público não foram suficientes para sustentar as acusações.

Com a sentença, apenas João Talaya permanece detido, enquanto os demais arguidos ficam livres de todas as restrições judiciais impostas durante o processo.

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