
O Tribunal de Comarca do Lubango condenou, na quarta-feira, Jacklyn Shroyer, cidadã norte-americana e viúva do missionário Beau Dean Shroyer, a 24 anos de prisão efetiva, por envolvimento no homicídio do marido, ocorrido em outubro de 2024, no município da Palanca, província da Huíla.
De acordo com a sentença, lida pela juíza Violeta Tyiteta, ficou provado que a arguida pagou 9.500 dólares a três cúmplices para executarem o crime, com o objetivo de receber o seguro de vida da vítima, avaliado em 500 mil dólares nos Estados Unidos da América.
As investigações concluíram que Jacklyn planeou o assassinato com o auxílio de Bernardino Elias – identificado como seu amante – e de Gelson Ramos e Isalino Kayôo, responsáveis pela emboscada que terminou com a morte do missionário, atingido com três golpes de faca na região cervical.
“O crime foi cuidadosamente preparado e executado com premeditação, demonstrando frieza e total desrespeito pela vida humana”, destacou a magistrada, ao justificar a severidade da pena.
O tribunal considerou ainda que a conduta da arguida “causou profunda consternação entre colegas missionários, familiares e membros da comunidade religiosa internacional”, reforçando a necessidade de uma resposta exemplar da justiça.
Além da pena de prisão, Jacklyn Shroyer foi condenada ao pagamento de 10 milhões de kwanzas à família da vítima, a título de indemnização por danos morais e materiais.
Cúmplices também condenados
O tribunal condenou ainda Bernardino Elias (amante de Jacklyn) a 21 anos de prisão por homicídio qualificado, enquanto Gelson Ramos recebeu igualmente 21 anos, pelos crimes de homicídio qualificado e branqueamento de capitais.
Já Isalino Kayôo foi sentenciado a uma pena única de 22 anos de prisão, pelos crimes de homicídio qualificado, branqueamento de capitais e posse de arma não proibida, além de uma multa de dois meses à razão de 85 unidades de referência processual.
Os três cúmplices deverão ainda pagar 4,5 milhões de kwanzas cada à família do missionário, bem como as custas judiciais fixadas em 150 mil kwanzas.
O tribunal absolveu os quatro arguidos do crime de associação criminosa, bem como, com exceção de Isalino, do delito de posse de arma não proibida.
Defesa anuncia recurso
Os advogados de defesa manifestaram discordância com a decisão judicial e anunciaram a intenção de recorrer às instâncias superiores.
“Não estamos satisfeitos com a decisão. Há incongruências e provas que não foram devidamente validadas”, afirmou Edivaldo Salvador, defensor de Jacklyn Shroyer.
O advogado Evaristo Cassanga, mandatário de Gelson Ramos, afirmou igualmente que irá recorrer, alegando “falhas na instrução do processo e lacunas da acusação”.
Já Vivaldo Chau, representante de Isalino Kayôo e Bernardino Elias, disse que utilizará o prazo legal de 20 dias para analisar a sentença antes de decidir sobre o recurso.
O julgamento, conduzido por um coletivo de três juízes, teve início a 1 de Setembro de 2025, após sucessivos adiamentos, e concluiu um dos casos criminais mais mediáticos da província.
O missionário Beau Dean Shroyer e a esposa Jacklyn viviam em Angola desde 2021, em missão religiosa. O crime ocorreu em 25 de outubro de 2024, durante uma emboscada num terreno ermo na Palanca, província da Huíla.