
O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, anunciou, na quinta-feira, que a gestão da Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL) será transferida, até ao final do ano, para o Governo Provincial de Luanda (GPL), no âmbito da reforma administrativa e do novo modelo de gestão local em curso no país.
Em declarações à Angop, no contexto das celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional, o governante referiu que o processo de transferência “está concluído”, faltando apenas a formalização da passagem da tutela.
“A decisão enquadra-se na estratégia de descentralização da gestão dos serviços públicos, permitindo que as administrações locais, por estarem mais próximas dos cidadãos, possam responder com maior eficácia às necessidades de mobilidade urbana”, explicou Ricardo de Abreu.
A TCUL, actualmente tutelada pelo Ministério dos Transportes, é uma empresa pública criada em 1988 e responsável pela principal rede de transporte colectivo da capital.
Com a transição da gestão para o GPL, o Executivo pretende fortalecer a capacidade de planeamento e resposta do sistema de mobilidade urbana de Luanda, através de uma administração mais próxima dos utilizadores.
Quanto ao modelo de sustentabilidade financeira da empresa, o ministro reconheceu que a TCUL enfrenta os mesmos desafios de rentabilidade que outras operadoras públicas de transporte.
Segundo o governante, apenas 48% dos custos operacionais são cobertos pela bilhética, sendo o restante 52% financiado pelo Estado.
“Trata-se de uma realidade comum à maioria das empresas públicas de transporte em todo o mundo, mas que exige soluções inovadoras de financiamento local”, sublinhou.
Ricardo de Abreu defendeu a criação de novas fontes de receita e parcerias público-privadas como caminho para garantir a sustentabilidade do sistema de transporte urbano, tanto em Luanda como nas demais províncias.
Fundada em Fevereiro de 1988, a TCUL opera actualmente em Luanda e na nova província do Icolo e Bengo, no município de Calumbo.
A empresa dispõe de uma frota de 600 autocarros, dos quais cerca de 100 se encontram em operação, transportando diariamente uma média de 10 mil passageiros.
Com a nova tutela provincial, espera-se que a empresa ganhe maior agilidade operacional e proximidade com os utentes, num momento em que Luanda enfrenta uma das maiores pressões de mobilidade urbana do país.