
Mais de 335 colaboradores do Hospital Provincial do Bié, denominado “Dr. Walter Strangway”, localizado no bairro Caluapanda, a cinco quilómetros a sul da cidade do Cuito, denunciam atrasos salariais que variam entre 13 e 15 meses, situação que consideram “insustentável” e “desumana”.
Ao Imparcial Press, os trabalhadores, muitos deles com mais de três anos de serviço, alegam que a remuneração depende somente das Ordens de Saque que o Estado deve às empresas privadas prestadoras de serviços no hospital.
Contudo, afirmam que há quase um ano o Governo não disponibiliza estas ordens, impedindo o pagamento de salários.
“Estamos esgotados e saturados. Somos pais e mães de família e não temos outra forma de sustento. O Estado não emite as Ordens de Saque e ficamos sem salário durante mais de um ano”, relatam.
Os colaboradores acusam ainda a existência de desigualdade no tratamento, afirmando que os dirigentes continuam a receber salários e regalias, enquanto os restantes funcionários – incluindo pessoal de limpeza, secretários clínicos, motoristas, seguranças e cozinheiras – seguem a trabalhar sem qualquer remuneração.
O grupo faz um apelo urgente ao Presidente da República, ao ministro de Estado da Coordenação Económica, à ministra da Saúde e à ministra das Finanças, solicitando a regularização imediata dos salários em atraso.
“O sofrimento é grande e já não suportamos mais”, lamentam os mesmos ao Imparcial Press.
Inaugurado em setembro de 2020, o Hospital Provincial do Bié foi construído em dois anos e seis meses, com um investimento de 48 milhões de dólares e ocupa uma área de 50 mil metros quadrados.
Os trabalhadores garantem que não têm alternativa de emprego e que, apesar da situação crítica, continuam a cumprir as suas funções para não comprometer o funcionamento do principal hospital da província.